Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A PREDESTINAÇÃO DA VIRGEM IMACULADA


Nossa Senhora de Belém. Óleo sobre tela de Melchior
Paul Deschwanden - 1873. Acervo da Catedral Metro-
politana de Belém, Pará-Brasil
Estamos a poucos dias da grande Solenidade do Natal do Senhor, já celebrando sua Novena Preparatória, e hoje, em especial aos que celebram o Ofício Divino, é o dia da Antífona Maior do Advento: «Ó sol nascente justiceiro / resplendor da Luz eterna: / Oh! Vinde e iluminai os que jazem entre as trevas / e, na sombra do pecado e da morte, estão sentados.»1.

A antífona deste dia faz referência ao Deus da Luz, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Emanuel, o “Sol nascente justiceiro”, que veio ao mundo para ser a luz de seu povo (Is 60,19-20), para «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz!» (Is 9,1). Portanto, se é certo que Cristo é o “astro-rei”, a estrela mais brilhante que se vislumbra no céu e cuja luz brilha no dia da salvação, não é menos certo também que a piedade cristã chama Maria Santíssima de a “Estrela da Manhã”, que vem antes do sol, como a preparar a vinda do astro maior, Jesus Nosso Senhor: “Essa Estrela – que é o Sol, representação de Jesus – é sempre prenunciada por outra estrela da manhã cuja luz é um reflexo brilhante do Astro-Rei: Maria anuncia Jesus e conduz os homens a Jesus”2.

Celebrar, portanto, a Natividade do Salvador, remete-nos, por conseguinte, aos desígnios de Deus para a humanidade, muito antes de todo começo, antes de tudo que conhecemos, Nossa Senhora já estava predestinada a ser a Mãe do Verbo Encarnado, ou como a Ela se dirigem as palavras do Pe. Júlio Maria: “E no esplendor do conhecimento infinito, no qual se envolve a augusta Trindade, e também os seres futuros, no amor que ela tributa às criaturas privilegiadas que existirão um dia, o Altíssimo predestinava a gloriosa e imaculada Virgem, dotando-a de antemão de todas as belezas e de todas as grandezas que uma criatura possa encerrar.”3

E prossegue, com sabedoria e propriedade, discorrendo sobre a “Predestinação” da Virgem Imaculada: “É assim que apareceu desde o começo (Prov 8, 23). Antes de todo começo, ab aeterno ordinata sum, a radiosa figura da Virgem-Mãe, objeto das complacências eternas da adorável Trindade, objeto de amor e de admiração para os mortais.
A Imaculada Conceição

Desde o começo já se lhe podem aplicar as célebres Palavras de S. Bernardo: Sic est voluntas Dei qui totum nos voluit habere per Mariam – a vontade de Deus é que tudo nos venha pelas mãos de Maria. Tudo por ela, nada sem ela.

Desde toda a eternidade havia Deus decidido que seu Verbo se faria carne e se revestiria da natureza humana. Mas a encarnação do Filho de Deus – união da terra e do céu – estava tão intimamente unida, nos decretos eternos, à maternidade divina de Nossa Senhora, que se eternamente o Verbo ocupou o pensamento de Deus, esta previsão devia naturalmente juntar-se à de Maria, Mãe de Deus. E então pode-se dizer com razão: E estava ai a Mãe de Deus – Et erat mater Jesu ibi (Jo 2, 1-5).

De uma maneira especial Maria foi escolhida antes de todos os tempos para a realização desta inefável obra da misericórdia divina. 'A Mãe de Deus, diz Suarez, estava inseparavelmente unida ao seu divino Filho, nos decretos do Eterno'.

Eis por que a Igreja procura escolher sempre os próprios termos da Escritura Sagrada, que falam da sabedoria incriada e representam as suas origens eternas, para deles fazer aplicação à Santíssima Virgem, que foi, nos imutáveis desígnios de Deus, o objeto do mesmo decreto que a encarnação do Verbo divino4.

«O Senhor me possuiu no principio dos seus caminhos, desde o princípio, antes que criasse coisa alguma. Desde a eternidade fui constituída, e desde o principio, antes que a terra fosse criada. Ainda não havia abismos e eu já estava concebida; ainda as fontes das águas não tinham brotado, ainda não tinham assentado os montes sobre a sua pesada massa; antes de haver outeiros e eu tinha já nascido. Ainda ele não tinha criado a terra nem os rios, nem os eixos do mundo. Quando ele preparava os céus, eu estava presente; quando, por uma lei inviolável, encerrava os abismos dentro dos seus limites; quando firmava lá no alto a região etérea, e quando equilibrava as fontes das águas; quando circunscrevia ao mar o seu termo, e punha lei às águas, para que não passassem os seus limites; quando assentava os fundamentos da terra, eu estava com ele, regulando todas as coisas» (Prov 8, 22-28).

É, portanto, com muita razão que a Virgem Maria é chamada a «Primogênita antes de todas as criaturas – primogênita ante omnem creaturam» (Eclo 24, 5), assim como Jesus Cristo nos é apresentado como «Primogênito de toda criatura – Primogenitus omnis creaturae» (Cl 1, 15).

São Bernardo, ilustre apologista da Mãe de Deus, resumindo todos os piedosos transportes da tradição católica acerca desta verdade, assim se exprime: Ó Maria, vós precedestes a todas as criaturas no pensamento do Eterno, de preferência a todas as outras, mesmo as mais favorecidas; fostes escolhida e predestinada para ser a mãe do homem-Deus, nosso Salvador.
A Virgem Poderosa com o globo nas mãos.

Tal é, portanto, o segredo admirável da predestinação da Santíssima Virgem. Mas, como sondar este abismo? Nenhuma palavra humana poderia traduzir convenientemente estas maravilhas; língua alguma, fosse ela angélica, nos poderia revelar a compreensão deste grande mistério, nem penetrar nas profundezas deste santuário, onde Deus habita cercado e aureolado de uma luz inacessível.

E é somente pelo estudo dos diferentes aspectos e consequências da predestinação, assim como das intimas relações existentes entre Maria Santíssima e o seu divino Filho, que chegaremos a conceber uma pálida ideia da sublimidade deste grandioso mistério.”5

Concluamos, portanto, com o seguinte cântico mariano:

AVE MARIA, ESTRELA DA MANHÃ6

Ave Maria, estrela da manhã
Tu que velaste esta noite por nós
Roga por nós que começamos este dia
Roga por nós por toda a nossa vida.
Ave Maria

Ó Mãe bendita, dá-nos o teu Filho
Que tu trouxeste no teu seio por nós
Nasceu por nós para nos libertar da morte
Morto por nós para nos conduzir à vida.
Ave Maria

Cheia de Graça, Luz do caminho
Onde há a vida preparada para nós
Pede por nós misericórdia ao Senhor
Pede por nós que nos dê a sua paz.
Amém




FELIZ  

E 

ABENÇOADO 


    NATAL  

     A    

  TODOS  !








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1 cf. “Liturgia das Horas Segundo o Rito Romano”, Vol. I Tempo do Advento e Tempo do Natal, Editoras Paulus, Paulinas, Vozes e Ave-Maria/1999, p. 322.

2 VAZ, Dom José Carlos de Lima. “O Louvor a Maria Comentários sobre as Invocações da Ladainha de Nossa Senhora”, Edições Loyola/2005, 34ª Invocação: Maria, Estrela da Manhã, p. 111.

3 LOMABERDE, Pe. Júlio Maria. “Por Que Amo Maria”, Edições Paulinas. 1960, Primeiro Motivo: A Vontade de Deus, p. 19.

4 Pio IX, bula Ineffabillis, 1854.

5 LOMBAERDE, Pe. Júlio Maria. op. cit. p.19 a 21.