Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!
Mostrando postagens com marcador Santa Catarina Labouré. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Santa Catarina Labouré. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de novembro de 2020

28 DE NOVEMBRO - FESTA DE SANTA CATARINA LABOURÉ

28 DE NOVEMBRO - FESTA DE SANTA CATARINA LABOURÉ


Santa Catarina Labouré: A Santa do silêncio e da confiança

Somente após sua morte foram descerrados os véus da heroica humildade daquela freira cujo silêncio ocultara aos olhos do mundo sua grandiosa missão: vidente e mensageira da Rainha dos Céus.


Em fins de 1858, corriam por Paris notícias a respeito das aparições de Nossa Senhora a uma camponesa dos Pirineus, em Lourdes, rincão de pouca relevância do território francês. Trocavam-se impressões sobre as extraordinárias curas constatadas após o uso das águas da miraculosa nascente da Gruta de Massabielle e, sobretudo, comentava-se a celebridade da jovem vidente, Bernadete Soubirous, cuja despretensão e inabalável fé suscitavam a admiração do povo, que já a venerava como santa.

Difundindo-se célere pela capital francesa, a novidade chegou aos ouvidos também das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, que serviam aos idosos do asilo de Enghien. Entabularam uma animada conversa, na qual se ouviu uma exclamação saída dos lábios de uma religiosa que, embora discreta, mostrava-se tomada por veemente entusiasmo naquele momento: “É a mesma!”. Nenhuma delas alcançou o significado destas palavras. Entreolhando-se com estranheza, continuaram a falar, como se nada tivessem ouvido.

“Um arco-íris místico entre a Rue du Bac e Lourdes”

Em 1830, uma noviça da Casa-Mãe da Companhia das Filhas da Caridade, situada em Paris à Rue du Bac, também fora contemplada com aparições de Nossa Senhora, as quais já haviam adquirido fama mundial. Além de fazer importantes revelações sobre o futuro da Congregação e da França, a Mãe de Deus confiara à vidente a missão de mandar cunhar uma medalha através da qual Ela derramaria abundantes graças sobre o mundo. A distribuição dos primeiros exemplares deu-se em razão da epidemia de cólera que grassava por Paris, e foram tantas e tão surpreendentes as curas atribuídas ao uso dessa medalha – não sem razão denominada pelo povo de Milagrosa –, que em pouco tempo ela já se difundira por diversos países.

O nome da vidente, contudo, permanecia incógnito, mesmo entre suas irmãs de hábito. E só foi revelado após sua morte: era a silenciosa, diligente e sempre bem humorada Irmã Catarina Labouré! Seus olhos azuis, serenos e límpidos, brilhavam de alegria ao ouvir falar pela primeira vez das recentes aparições de Lourdes, um eco das ocorridas na Rue du Bac. Era outra luz que despontava no mesmo caminho de misericórdia traçado pela Rainha do Céu para conduzir a humanidade a uma nova era de graças marianas.

Não havia dúvida, era “a mesma”! À noviça de Paris, a Virgem ensinara a fórmula para invocá-La: “Ó Maria concebida sem pecado”. A Bernadete, assim se apresentara: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Exultante de contentamento, Irmã Catarina passou a nutrir profunda admiração pela nova vidente, embora não a conhecesse. Não sabia ela que, em Lourdes, Bernadete trazia ao pescoço a Medalha Milagrosa quando viu a Mãe de Deus, e provavelmente nutria em seu coração nobres sentimentos de veneração pela incógnita vidente da Virgem da Medalha… Pelo prisma sobrenatural, havia uma estreita união de almas das duas santas, formando “como que um arco-íris místico entre a Rue du Bac e Lourdes”.

Santa Bernadete dava provas de heroica humildade, restituindo à Rainha do Céu as honras e louvores que o povo lhe tributava. Santa Catarina praticava de modo diferente igual humildade: vivia entregue às mais modestas funções no asilo de Enghien, onde serviu aos idosos e pobres durante mais de quarenta anos.

Infância nimbada de fé e seriedade

Quando Catarina nasceu, em 2 de maio de 1806, permaneciam ainda na França as chagas da irreligião abertas pela Revolução de 1789. No pequeno povoado borgonhês de Fain-lès-Moutiers, onde a família Labouré residia, não havia sacerdote. Para batizar a recém-nascida, foi preciso chamar o pároco do lugarejo vizinho. Apesar da generalizada negligência religiosa do tempo, da qual não se excluía seu pai, Pedro Labouré, a fé de Catarina e de seus nove irmãos foi salvaguardada e fortalecida graças ao empenho da mãe, Madalena Gontard, cuja principal preocupação na educação dos filhos foi inculcar-lhes uma ilimitada confiança na Santíssima Virgem.

Os primeiros anos de Zoé – assim se chamava nossa santa, antes do ingresso na vida religiosa – transcorreram sem nuvens, em meio às alegrias de uma infância perfumada pela inocência. Adquiriu desde cedo gosto pela oração e não hesitava em abandonar os infantis divertimentos quando a mãe a chamava para rezarem juntas diante da singela imagem de Nossa Senhora entronizada numa sala da residência.

Dotada de um precoce senso de responsabilidade e seriedade, Zoé logo percebeu as dificuldades da mãe na execução das árduas tarefas de manutenção da casa, e resolveu ajudá-la. Antes de completar oito anos, já sabia costurar, ordenhar as vacas, preparar a sopa e varrer o chão. E a compenetração que a movia a abraçar com alegria a monótona faina diária – tanto no lar, durante a infância e juventude, quanto no asilo de Enghien, ao longo de mais de quatro décadas – foi por ela mesma explicitada com palavras simples e cheias de luz: “Quando se faz a vontade de Deus, jamais se sente tédio”.


Uma graça transformante

Aos nove anos de idade, a pequena Zoé viu o horizonte de sua vida toldar-se pela tragédia: em outubro de 1815, faleceu sua mãe. Ao contemplar seu corpo inerte, chorou copiosamente, mas não por muito tempo, pois ela própria lhe havia ensinado a quem recorrer nos momentos de aflição. Passado o primeiro choque, dirigiu-se à sala onde se encontrava a imagem de Nossa Senhora, diante da qual tantas vezes rezara em companhia da mãe. Resoluta, subiu numa cadeira para pôr-se à altura da imagem, abraçou-a e exclamou, entre soluços: “De agora em diante, Vós sereis minha Mãe!”. A resposta da Rainha do Céu foi imediata. A menina, que ali chegara débil e desfeita em lágrimas, retirou-se forte e disposta a enfrentar as adversidades. Foi essa a última vez que ela chorou na vida, pois a virtude da fortaleza a acompanhou num crescendo até o fim de seus dias.

Em 1871, quando já era uma religiosa de 65 anos, o movimento revolucionário da Comuna de Paris proporcionou-lhe diversas ocasiões de manifestar, com heroísmo, essa virtude. Um dia, por exemplo, tomou a iniciativa de dirigir-se ao quartel-general dos insurrectos para defender sua superiora, contra quem fora expedida uma ordem de detenção. Expôs seus argumentos com tal firmeza ante quase sessenta comuneiros ali presentes que terminou por sair vitoriosa. Impressionados, os revolucionários passaram a tratá-la com muita deferência; chegaram inclusive a pedir-lhe para depor no julgamento de uma prisioneira, e tomaram seu depoimento, favorável à ré, como última palavra no caso.

Um desdobramento dessa graça recebida na infância foi a constância de ânimo com a qual suportou as inúmeras manifestações de impaciência e incredulidade de seu confessor quando, por ordem de Nossa Senhora, lhe relatava as visões havidas. Poucos meses antes de sua morte, ela confidenciou à superiora que a atitude desse sacerdote constituíra para ela um verdadeiro martírio. Ela padeceu com a fortaleza dos mártires esse holocausto silencioso, que lhe fora anunciado pela própria Santíssima Virgem, na primeira de suas aparições:

“Minha filha, o Bom Deus quer te encarregar de uma missão. Terás muitas dificuldades, mas as superarás, considerando que ages para a glória d’Ele. Saberás discernir o que vem do Bom Deus. Serás atormentada até que o digas àquele que está encarregado de te conduzir. Serás contraditada. Mas terás a graça. Não temas. Dize tudo com confiança e simplicidade. Tem confiança”.

Uma verdadeira filha de São Vicente de Paulo

“Ficarás feliz em vir a mim. Deus tem desígnios a teu respeito”.

Quando tinha cerca de 14 anos, Catarina ouviu em sonho estas palavras dirigidas a ela por um sacerdote desconhecido, cujo olhar penetrante e cheio de luz gravou-se para sempre em sua lembrança. Alguns anos mais tarde, visitando uma casa das Filhas da Caridade, deparou-se com um quadro do fundador da Congregação, São Vicente de Paulo, em cuja fisionomia reconheceu o sacerdote do sonho. Ficou-lhe clara, então, a vocação à qual já se sentira tantas vezes atraída: seria filha de São Vicente!

Entretanto, quando no seu 21º aniversário, em 2 de maio de 1827, anunciou em casa sua decisão, o pai se opôs taxativamente. Após tentar, em vão, dissuadi-la de abraçar a vida religiosa, ele a enviou a Paris, para trabalhar no restaurante de um de seus irmãos, na ilusão de que ali ela acabaria por encontrar um bom partido e casar-se.

Aquele ambiente, porém, frequentado por operários rudes e muitas vezes imodestos, não fez senão fortalecer a pureza ilibada da jovem. Tal era seu amor pela vocação que já se portava como uma autêntica Filha da Caridade, cumprindo com perfeição as recomendações feitas pelo Santo às suas filhas espirituais, entre as quais esta: “Se às religiosas [de clausura] é exigido um grau de perfeição, às Filhas da Caridade devem ser exigidos dois”.

Catarina não desejava outra coisa senão abraçar por inteiro essa ousada meta, e perseverou em seu propósito até vencer a obstinação do pai. “Se observarmos bem as pequenas coisas, faremos bem as grandes”, escreveria ela, décadas mais tarde, ao terminar um período de exercícios espirituais.

A confiança e a simplicidade de uma alma inocente

Finalmente, em 21 de abril de 1830, Catarina chegou ao Convento da Rue du Bac. O Conselho das Superioras logo discerniu nela uma autêntica vocação: “Tem 23 anos e convém muito à nossa comunidade: piedosa, bom caráter, temperamento forte, amor ao trabalho e muito alegre”, foi o parecer escrito a seu respeito. Ademais, era uma genuína camponesa, tal qual desejava São Vicente, que tomara os bons predicados das aldeãs como base natural para perfilar o ideal de virtude das Filhas da Caridade. E, quer na vida comunitária, quer no serviço dos pobres, e mesmo durante as manifestações sobrenaturais das quais foi objeto, sempre brilhou em Irmã Catarina uma das virtudes mais amadas pelo Santo Fundador: a simplicidade de coração.

Corpo incorrupto de Santa Catarina

“O espírito das camponesas é simplíssimo: nem rastro de fingimento nem palavras de duplo sentido; não são teimosas nem apegadas às suas opiniões. […] Assim, minhas filhas, devem ser as Filhas da Caridade, e sabereis que o sois se fordes simples, sem recalcitrâncias, submissas ao parecer dos outros e cândidas em vossas palavras, e se vossos corações não pensarem uma coisa enquanto vossas bocas pronunciam outra”. Este ideal delineado por São Vicente encontrou, quase dois séculos depois, perfeita realização na alma desta dileta filha.

Na semana seguinte à sua chegada ao convento, apareceu-lhe três vezes, em dias consecutivos, o coração de São Vicente, prenunciando as iminentes desgraças que se abateriam sobre a França, com a promessa de que as duas Congregações por ele fundadas não pereceriam. A feliz noviça teve a graça de ver também Cristo presente na Sagrada Hóstia, durante todo o tempo de seu seminário, “exceto todas as vezes que eu duvidava”, confidenciou ela.

Imbuída da Fé que move as montanhas e atrai a benevolência de Deus, Catarina não titubeou em pedir mais: queria ver Nossa Senhora. Na véspera da festa do Fundador – que então se comemorava a 19 de julho -, confiou-lhe seu desejo numa breve oração e foi dormir esperançosa: “Deitei-me com a ideia de que naquela mesma noite veria minha boa Mãe. Havia muito tempo que queria vê-La”. E foi generosamente atendida, não só “naquela mesma noite”, como também em duas outras aparições, uma em novembro e outra em dezembro do mesmo ano de 1830.

Com o passar dos anos, intensificou-se nela a confiança filial e ilimitada que depositava nesses três pilares de devoção, a tal ponto que, pouco antes de falecer, ela não pôde esconder o espanto quando a superiora lhe perguntou se não tinha medo da morte: “Por que temeria ir ver Nosso Senhor, sua Mãe e São Vicente?”.

“A Santíssima Virgem escolheu bem”

Santa Catarina jamais violou o segredo acerca de sua condição de vidente e mensageira das aparições da Medalha Milagrosa. Contudo, muitas pessoas chegaram a vislumbrar nela a predileta da Rainha do Céu, tal era seu amor a Deus, não só afetivo, pois inegável era sua ardorosa piedade, mas também efetivo, como o testemunhou uma de suas contemporâneas: “Suas ações, em si mesmas ordinárias, ela as fazia de maneira extraordinária”. Havia nela algo de discreto, alcandorado e inefável.

Sua santidade era a principal mantenedora do segredo. Às irmãs que ousaram interpelá-la nesse sentido, sua resposta consistiu sempre num absoluto silêncio. Um silêncio nascido da humildade, sem nada de taciturno nem de ríspido; pelo contrário, um silêncio sacral, que chegava a despertar veneração.

Quando, após sua morte, foi anunciado às Filhas da Caridade o nome da vidente da Rue du Bac, tiveram elas uma reação marcada mais pela admiração do que pela surpresa. Não era difícil associar a exemplar irmã à figura – já um tanto mitificada – da vidente ignota. E era impossível não ficarem deslumbradas ao constatar a excelência de sua humildade, que a mantivera no anonimato, embora exercendo uma missão de alcance universal.

Quiçá naquele momento tenha ocorrido à lembrança das irmãs o ingênuo dito que as crianças do orfanato dirigido pelas Filhas da Caridade costumavam repetir entre si, observando de longe a Irmã Catarina Labouré: “A Santíssima Virgem escolheu bem”. Teriam sido estas palavras, tão verdadeiras, mero fruto da imaginação infantil ou haveria Deus, mais uma vez na História, revelado aos pequeninos os mistérios ocultados aos sábios e entendidos?

Sem embargo, mais luminosa que o heroico silêncio é a lição de confiança filial deixada por Santa Catarina na Mãe que nunca desampara. “A confiança tem sempre esse prêmio. Pedindo com confiança, recebe-se mais, com mais certeza e mais abundantemente. A confiança abre-nos o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria”. (Revista Arautos do Evangelho Dez/2012, n. 132, p. 22 à 25)



USE A MEDALHA MILAGROSA



Receba o conteúdo deste blog gratuitamente. Cadastre seu e-mail abaixo.



FONTE: Arautos.org (alguns destaques foram acrescidos).

quinta-feira, 28 de novembro de 2019


28 DE NOVEMBRO – FESTA DE SANTA CATARINA LABOURÉ, A VIDENTE DA MEDALHA MILAGROSA

Santa Catarina Labouré (fotografia com seu autógrafo)

Catarina Labouré era uma mulher muito humana, uma santa próxima de nós. Sua vida foi ao mesmo tempo extraordinariamente simples e extraordinariamente notável. Ela tem verdadeira paixão por Deus, pela Santíssima Virgem, por São Vicente e pelos Pobres. Sua personalidade é excepcionalmente rica por sua simplicidade e humildade.
- (Cronologia)
1806, 2 de maio - nascimento em Fain-les-Moutiers
1815 - morte de sua mãe
1830, 21 de abril - entrada no Seminário das Filhas da Caridade, em Paris
1830, 19 de julho e 27 de novembro - principais aparições da Santíssima Virgem
1831 - Início de sua missão no asilo de Enghien, em Paris
1876, 31 de dezembro - morte de Catarina Labouré
1933 - transferência de seu corpo à Capela da Casa Mãe
1933, 22 de maio - beatificação
1947, 27 de julho - canonização pelo Papa Pio XII
28 de novembro dia da festa
Catarina era uma camponesa da Borgonha, a oitava filha de uma família de 10 filhos. Órfã aos 9 anos, ela decide substituir a mãe que acabava de perder por nossa Mãe do céu: Maria. Este gesto de fé será o acontecimento fundamental de sua relação privilegiada com o “Céu”.
Catarina fez sua primeira comunhão em 25 de janeiro de 1818, na igreja de Moutiers-Saint-Jean e tornou-se “muito mística” de acordo com a percepção de Tonine, sua irmã. Desde a idade de 12 anos de idade, ela é a colaboradora mais próxima de seu pai na fazenda. Sobrecarregada de ocupações, trabalha sem descanso, fortificando assim, seu temperamento ativo e sua capacidade de suportar o cansaço. Todos os dias, Catarina reza longamente. Antes de começar o dia, encontra uma maneira de participar da missa na igreja de Moutiers-Saint-Jean. Aos 13 anos, Catarina é tão “contemplativa” quanto “dona de casa”.
Santa Catarina distribuindo as Medalhas
Milagrosas

Por volta dos 15 ou 16 anos, ela tem um sonho estranho, um desses sonhos que no Evangelho chama-se visão, e não compreende o seu significado a não ser mais tarde. Catarina foi visitada por São Vicente de Paulo que a convidou a segui-lo.
Aos 18 anos ela expressa ao pai seu desejo de entrar para as Filhas da Caridade. Este não aceita e pretende fazê-la mudar de ideia enviando-a para Paris como cozinheira e criada no restaurante popular de seu irmão.
Quando Catarina completa 22 anos, o pai acaba cedendo ao seu desejo vocacional. Em abril de 1830, ela entra no Seminário, na Casa Mãe de Paris, rua du Bac. Admira muito São Vicente de Paulo e busca na oração força, paciência e orientação. Sorridente e alegre está sempre pronta a acolher as pessoas e procura realizar bem o trabalho cotidiano.
Desde sua chegada ao Seminário, Catarina é beneficiada, primeiro, com visões pessoais (do coração de São Vicente e de Nosso Senhor na Eucaristia), depois com duas aparições marianas que são uma mensagem de evangelização para a Igreja e o mundo. Essas duas aparições de 18 de julho e 27 de novembro são inseparáveis: a primeira prepara a segunda que, certamente, é de uma importância capital – Maria Imaculada confia ao mundo sua Medalha. Por este sinal, Maria revela sua Conceição Imaculada; o reverso da Medalha apresenta símbolos que mostram Maria intimamente ligada aos mistérios da Encarnação e da Redenção.
Para Catarina, Deus não é uma ideia, mas uma presença: Jesus Cristo, Deus feito homem entre os homens e entre os pobres. No final de janeiro de 1831, enviada ao serviço dos idosos do asilo de Enghien, dos pobres do bairro, dos aflitos, dos enlutados, dos marginalizados… ali serve incansavelmente durante 46 anos. Ela é para todos um oásis de paz, tratando seus idosos, particularmente, os mais desagradáveis, com delicadeza e bondade raras. Dá também atenção privilegiada aos doentes e agonizantes os quais vela habitualmente e nos quais reconhece o rosto de Cristo. Catarina não é somente uma “vidente”, mas também e, sobretudo, uma “mulher de fé”, revelando-se heroica em situações imprevistas e difíceis, principalmente durante a Comuna: tudo por Deus.
Corpo incorrupto de Santa Catarina Labouré,
 sob o altar da Virgo Potens (a Virgem do Globo)
Nos primeiros dias do ano de 1877, Irmã Catarina é enterrada sob a casa de Reuilly. Foi canonizada 70 anos após a sua morte. Em 1933, o corpo de Catarina é transferido para a Capela da rua du Bac e colocado sob o altar da Virgem com o globo. Assim, ela aparece como a primeira testemunha de um novo tipo de santidade, sem glória nem triunfos humanos, que o Espírito Santo começava a suscitar para os tempos modernos.


☛ NOTA: Para saber mais sobre a vida e obra de Santa Catarina Labouré, e orações a ela dedicadas, VIDE AQUI.




USE A MEDALHA MILAGROSA


Receba o conteúdo deste blog gratuitamente. Cadastre seu e-mail abaixo.



FONTE: Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo (texto revisto).

segunda-feira, 14 de outubro de 2019


SANTA CATARINA LABOURÉ: A DEVOÇÃO À VIRGEM IMACULADA E A ORAÇÃO DO TERÇO




“A devoção [de Santa Catarina] pela Mãe de Jesus era tal que não há expressão para defini-la. 'Quando falava sobre a Virgem Maria, perdia a calma e animava-se, deixando transparecer a viva luz dos olhos', diz uma testemunha. Uma Irmã de Reuilly depôs: 'Lembro-me bem que ela rezava o Terço com tanta piedade, pronunciando cada palavra com pausa, que cada uma de nós gostava de rezar com ela o seu rosário.'1

Tinha tanto afeto à piedosa recitação do Terço que, ao morrer, disse à Superiora: 'Sobretudo fazei rezar bem o Terço.' Esta palavra foi como o seu testamento.

As estátuas de Nossa Senhora excitavam-lhe o fervor: parava par olhar e rezar. Na alameda ajardinada, que liga a casa de Reuilly à de Enghien, há uma estátua da Imaculada Conceição. Cada vez que passava por esse lugar, a piedosa Irmã detinha-se para contemplar Maria Santíssima. As meninas e moças da casa escondiam-se entre as ramagens para ver como a edificante Irmã rezava: 'Parecia dirigir-se a uma pessoa viva', diz Padre Meugniot2.

A estátua na Alameda entre a Casa de
Reuilly e a de Enghien

Diante dessa mesma estátua, uma Irmã a percebeu: de pé, com os braços abertos , parecia em êxtase3.

E ainda um fato, relatado no Processo, pelo menos por quinze testemunhas: 'Todos os anos, a 8 de Dezembro, acontecia-lhe um acidente doloroso. Nesse dia, certa vez, ao subir na carruagem, para ir rezar na Casa-Mãe, diante do altar das aparições, caiu e quebrou o punho. Ao seu regresso, uma Irmã lhe disse em tom de gracejo: ''Como Nossa Senhora lhe permitiu este acidente penoso?'' – ''Ela envia-me sempre no dia de sua festa, um ramalhete desse gênero'', respondeu olhando para o céu.

A confiança em Maria Santíssima conservava-a serena e impávida mesmo nos momentos de grande pavor. Em 1864, houve um grande incêndio na fábrica de papel, junto da capela; as chamas, tangidas pelo vento, lambiam os muros da casa de Reuilly. O incêndio da casa parecia certo. Da rua, os populares gritavam: 'As Irmãs vão ser queimadas!' Todas pensavam em fugir do perigo.

Mas a Irmã Catarina, depois de acalmar seus velhos, vem mancando par Reuilly, rezando o Terço tranquilamente, e diz às Irmãs: 'Acalmai-vos minhas Irmãs. A Santíssima Virgem está tomando conta da casa. Não vos acontecerá nenhum mal. Aquietai-vos, portanto.' E como a Vidente afirmou, assim aconteceu. O incêndio reduziu a cinzas a fábrica de papel, mas a casa de Reuilly ficou incólume.”

Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS.




USE A MEDALHA MILAGROSA



Receba o conteúdo deste blog gratuitamente. Cadastre seu e-mail abaixo.




___________________
1 Sum. do Processo, Irmã Tamguy, p. 226.

2 Idem, p. 247

3 Idem, p. 235 (Citados por L. Misermont)






FONTE: livro Santa Catarina Labouré e a Medalha Milagrosa, Pe. Jerônimo P. de Castro, CM, Editora Vozes, 1951, Cap. VII, pp. 190-192. Texto revisto e atualizado, com alguns destaques nossos.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018


SANTA CATARINA LABOURÉ: A SANTA DO SILÊNCIO


Retrato de Santa Catarina Labouré (já idosa), com seu autógrafo.

“Vale a pena fazermos algumas considerações sobre o silêncio, que tem seus aspectos positivos e negativos, embora no caso de Santa Catarina, ao conhecermos sua vida, descobriremos imediatamente que o seu silêncio era, às vezes, fruto e instrumento proteção de sua grande humildade. Nunca falou com o fim de atrair a atenção ou a admiração dos demais em razão das grandes e extraordinárias graças que recebeu do Senhor. E mais, 'nunca falava de si mesma — dirá uma das testemunhas interrogada durante o processo da causa de sua beatificação, mas permanecia silenciosa' (Sor de La Haye Saint Hilaire, 6 de julio de 1909).

Mais de uma vez Irmã Catarina respondeu com o silêncio acompanhado de um sorriso às Irmãs que se dirigiam a ela com palavras de certo desprezo. Soror Gil Moreno de Mora dirá a 5 de julho de 1909: 'Uma de suas companheiras a tratava de tonta e boba. Ela não respondia uma palavra e se contentava com sorrir'. Este silencio refletia de novo a grande humildade e caridade de nossa Irmã.

O silêncio de Santa Catarina não era indiferença, nem mutismo, nem hermetismo. Era da sua natureza serena e quiçá pouco comunicativa pelos muitos acontecimentos dolorosos que vivenciou desde sua infância; em nenhum momento utilizou o silêncio como evasão ou fuga da comunicação com as demais e menos ainda como expressão de amargura ou mal humor. Não faltou quem a acusasse de abandonar o recreio para ir à capela. As testemunhas do processo ratificam essa afirmação: 'Se dirigia regularmente para lá [capela], menos quando um ancião enfermo precisava de seus cuidados' (Vida de Catalina Labouré —Pruebas— R. Laurentin, pág. 505, n.° 1299, Sor Maurel, 21 de julio de 1909).
Primeira Aparição da Virgem Imaculada a Santa
Catarina Labouré.

O que é certo é que Catarina tinha um elevado conceito do silêncio como meio apropriado para fazer bom uso de outro dom importante que é a palavra. O silêncio permite a utilização da palavra em todo seu valor, evita seu uso inútil e, sobretudo, impede que se a utilize como arma ofensiva e destruidora contra Deus e contra o próximo.

O silêncio dispõe falar-se no tempo e de modo apropriado. O pensamento elaborado no silêncio dá densidade e valor à palavra que o expressa. Catarina conhecia bem a doutrina de seu Fundador São Vicente, sobre este ponto:

'O silêncio atrai, tanto sobre as comunidades como sobre as pessoas, abundâncias de graças e de bênçãos, posto que guardar o silêncio não é outra coisa que escutar a Deus…'. São Vicente considera que é uma grande sabedoria 'falar oportunamente, é o que fez Nosso Senhor quando aproveitou a ocasião na qual a samaritana retirava a água para falar-lhe da graça'. E exclama ainda o Santo: 'Quem nos dera ter este dom de 'falar oportunamente' (Síg. XI/4, 787).

Nossa irmã, Santa Catarina, supôs calar a tempo e falar a tempo. Tanto seu silêncio como sua palavra não pretendiam mais que o cumprimento da vontade de Deus e a caridade para com o próximo. Graças a seu silêncio, suas palavras eram mais apropriadas, mais densas de conteúdo e ofereciam mais credibilidade.

'Falava muito pouco, disse uma das testemunhas, porém, o fazia sempre muito bem. Cada palavra que dizia era oportuna (para) levar a Deus e dar ânimo' (Sor Cosnard, 9 de julio de 1909).

'Não era expansiva, falava pouco. Se lhe pedissem conselho? Dava-o, de maneira simples, em poucas palavras e sempre com muito acerto. Era o Espírito de Deus que falava por ela' (Sor Tanguy, 2 de junio de 1909).

Para Santa Catarina o silêncio é antes de tudo o ambiente onde se cultiva uma grande união com o Senhor, união que refletia em toda sua pessoa e atitudes. 'Eu estava impressionada pelo espírito de silêncio e de recolhimento de Soror Catarina — disse Soror Mauche em seu testemunho de 2 de julho de 1909 —. Sua união com Deus se refletia perfeitamente sobre seu rosto que, ao olhá-la, eu não cessava de admirá-la''.
Santa Catarina Labouré na portaria da Casa Mãe

Santa Catarina fez de sua vida eco à afirmação de São Vicente: '…o silêncio serve para falar-se com Deus: no silêncio é que Ele nos comunica suas graças' (S. V., Conf. 1 de agosto de 1655 – C. E. n.° 1344).

Assim mesmo nossa Santa fez já realidade em sua vida o que nos recomendam nossas Constituições: 'Para favorecer a intimidade de cada uma das Irmãs com Deus e despertar em todas uma indispensável recuperação interior, é necessário possuir momentos de silêncio. Clima de Deus, o silencio, aceitado de comum acordo, prepara os momentos de maior riqueza no plano espiritual' (C. 2,14). Entre esses momentos, merecem menção especial o retiro mensal e os exercícios espirituais.

Sua santidade de vida e, sobretudo, sua humildade e sua caridade extraordinárias com o próximo, especialmente com os anciãos que cuidava, só podem ter explicação em uma vida profundamente enraizada em Deus.

O silêncio predispõe facilmente à escuta. Prepara o ambiente propício não só para escutar a Deus, senão também ao irmão necessitado. Suas duas horas de conversa com Maria, na noite do dia 18 para 19 de julho, preparam-na sem dúvida para esse importante serviço de escuta. Ali aprendeu a vez e o valor do silêncio, da escuta e da palavra.
Santa Catarina rezando diante de uma
imagem da Virgem existente no pátio
entre o asilo e a Casa Mãe.

Irmã Catarina, entretanto, não vacilou ao romper o silêncio e fez uso da palavra quando a vontade de Deus e a mensagem recebida de Maria lhe exigiram. Falou e insistiu, inclusive diante das pessoas que podiam realizar o conteúdo do encargo recebido.

Como recordou Sua Santidade Pio XII na homilia da Missa de sua canonização, 'o caso de Santa Catarina não foi como o de outras místicas, como Ângela de Foligno ou Magdalena de Pazzi, que guardaram em seus corações as comunicações sobrenaturais íntimas de que foram objeto. Santa Catarina recebeu uma mensagem que havia de transmitir e cumprir: despertar o fervor esfriado nas duas Companhias do Santo da Caridade; submergir o mundo sob o dilúvio de pequenas medalhas portadoras de todas as misericórdias espirituais e corporais da Imaculada; suscitar uma Associação piedosa de Filhas de Maria para a salvaguarda e santificação das jovens' (Ecos de la Casa Madre, setembro de 1947, pág. 118).

Até o fim de sua vida padeceu o martírio de não ser atendido seu pedido de confeccionar a estátua da Virgem do globo, tão solicitada por Maria. Porém não cessou de falar até que ser atendida, mesmo reconhecendo (depois) que não correspondia à beleza que havia contemplado nas aparições.

Suas confissões lhe proporcionaram mais de um desgosto, posto que nem sempre lhe foi dado crédito e nem se respondeu a tempo ao que pedia, porém, apesar disso a Vidente, vencendo sua timidez, falou quantas vezes se fez necessário para levar adiante o encargo recebido. Ademais, não se contentou com falar a suas contemporâneas senão também, apesar de sua pouca cultura e suas deficiências de estilo e ortografia, deixar por escrito para posteridade o relato das manifestações de Maria. Nestes escritos, nem palavras inúteis, nem preocupações de estilo, nem complexos por não saber expressar-se corretamente. Não buscou enaltecer a si mesma, nem a glória humana que pudesse advir dos privilégios de que foi objeto; só a movia a missão confiada pela Mãe de Deus.
Santa Catarina, a primeira propagadora da
Medalha Milagrosa

Em nossa Irmã, o silêncio e a palavra bem compreendidos e utilizados se enriqueciam mutuamente. O silêncio engrandece a palavra e a palavra apropriada, empregada em seu devido tempo, justifica e dá valor ao silêncio em cujo seio foi gerada. Nem o silêncio teria tido tanto sentido se não tivesse servido como laboratório da palavra, nem esta teria sido tão significativa e densa de conteúdo se não tivesse sido elaborada no silêncio, engendrada nele.

Em Santa Catarina, tanto seu silêncio como suas palavras, falam, criam interrogações, transmitem mensagens. Tanto mais porque encontram respaldo em sua compostura externa e seu comportamento.

Assim mesmo nossa Irmã pôs ao serviço da caridade com o próximo tanto o seu silencio como suas palavras. Os anciãos a ela confiados, nos quais descobria Deus, encontravam em Soror Catarina compreensão, atenção e perdão. Seu comportamento com os que abusavam da bebida era considerado demasiado 'indulgente'. Uma de suas companheiras de Comunidade, Soror Charvier, como tantas outras testemunhas do processo de beatificação, disse: 'Indulgente com seus anciãos, repreendia-os quando algum deles voltava bebido à casa. Nós lhe dizíamos: ''Por que não lhe repreende com mais rigor?'' Ela respondia: ''não lhe posso repreender com mais vigor. Vejo nele Nosso Senhor''. Eram descartadas palavras de acusação ou expressões de impaciência e crítica.

O silêncio era também para Irmã Catarina um meio de defesa contra a utilização indevida do dom da palavra, seja transformando-a em discurso superficial e inútil que, de certa maneira, é uma profanação deste maravilhoso instrumento de comunicação, seja empregando-a como arma ofensiva que fere diretamente o próximo, por meio de críticas ao seu comportamento. A heroicidade de suas virtudes demonstram que nossa Santa foi fiel às orientações recebidas de nossos Fundadores com relação à caridade fraterna, que facilmente se rompe com a palavra mal utilizada:
Antigo postal francês de Santa Catarina
Labouré

'Guardem-se bem em suas conversações de se ocupar dos defeitos do próximo, e muito menos os de suas Irmãs… e como o silêncio é o meio mais eficaz para evitar não só uma multidão de faltas contra a caridade que se cometem com a língua, como também outros muitos pecados que resultam do muito falar, segundo o testemunho da Sagrada Escritura, que propõe um especial cuidado em observá-lo' (Reglas Comunes, cap. VI, artículos 3.° y 4.°).

Não é difícil imaginar que Santa Catarina encontrou também no silêncio e no recolhimento que lhe era permitido, o espaço adequado para o encontro consigo mesma e para a reflexão, necessária a todo ser humano.

Num mundo onde há tanto barulho e dispersão, faltam esses espaços de reflexão, corremos o risco de caminhar embalados pelo que nos rodeia e arrasta, sem clara consciência para onde vamos e quais são as influências de tudo isso sobre nossa pessoa e comportamento, inclusive sobre nossa liberdade. Sob tais condições, caímos na maior das escravidões, porque nem a inteligência nem a vontade exercem todas as suas capacidades. Aceitamos como bom o que o sistema e a moda reinantes nos oferecem, sem arranjar tempo, nem procurarmos o espaço apropriado ao silêncio e à reflexão necessária para — à luz dos critérios evangélicos, dos ensinamentos da Igreja e dos compromissos próprios de um membro da Companhia — fazer um exame sério de tudo quanto nos acontece.

“A Maria Imaculada 'totalmente aberta ao Espírito… exemplo perfeito dos que escutam a Palavra e a guardam' (C. 1,12), confiemos nosso desejo de continuar, com fidelidade renovada, a Missão de Cristo entre nossos irmãos necessitados.”

Santa Catarina Labouré deixou este mundo e partiu para o céu no dia 31 de Dezembro de 1876, por volta das 19 horas, após receber os últimos sacramentos com uma felicidade e serenidade impossíveis de se descrever, e a seu pedido, as irmãs Filhas da Caridade que a cercavam, rezavam a Nossa Senhora a invocação que ela própria repetia muitas vezes:

“Terror dos demônios, rogai por nós! …”



USE A MEDALHA MILAGROSA



Receba o conteúdo deste blog gratuitamente. Cadastre seu e-mail abaixo.





FONTE: excertos do artigo publicado, com o mesmo título, no periódico “Ecos de la Compañía”, da autoria da Irmã Juana Ezlizondo, Filha da Caridade, ano/1997, capturado em http://vincentians.com/es/santa-catalina-laboure-la-santa-del-silencio-2/ – Tradução e adaptação para o português do Brasil são nossos, assim como alguns destaques.