Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!
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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

27 DE NOVEMBRO - FESTA DA VIRGEM IMACULADA NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA

27 DE NOVEMBRO - FESTA DA VIRGEM IMACULADA NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA



As aparições

O céu desceu à terra… De julho a dezembro de 1830,Irmã Catarina, jovem noviça das Filhas da Caridade, recebe o imenso favor de conversar três vezes com a Virgem Maria. Nos meses precedentes, Catarina foi beneficiada com outras aparições. São Vicente de Paulo lhe manifestou seu coração. Na Capela, em oração, Catarina vê por três dias consecutivos, o coração de São Vicente, em três cores diferentes. Ele lhe aparece, em primeiro lugar, branco, cor da paz; depois vermelho, cor do fogo; depois, preto, sinal das desgraças que recairão sobre a França e, particularmente, Paris.

Pouco depois, Catarina viu o Cristo presente na Eucaristia, mais além das aparências do pão.

«Vi Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento durante todo o tempo do meu Seminário, exceto todas as vezes em que duvidava.»

A 6 de junho de 1830, festa da Santíssima Trindade, o Cristo lhe aparece como Rei crucificado, despojado de todos os seus paramentos.

Uma noite de verão

Primeira Aparição

Aos 18 de julho de 1830, véspera da festa de São Vicente que ela tanto ama, Catarina recorre àquele de quem, cujo coração ela viu transbordando de amor, para que seu grande desejo de ver a Santíssima Virgem seja enfim alcançado. Às onze horas e meia da noite, ela ouve chamá-la pelo seu nome.

Uma misteriosa criança está ali, ao pé da sua cama e a convida para levantar-se:

«A Santíssima Virgem a espera»

diz ela. Catarina se veste e, acompanha a criança que, deixa raios de luz por todos os lugares por onde passa. Chegando à Capela, Catarina pára perto da cadeira do Padre, colocada no presbitério. Ela ouve então “como o frou-frou” de uma roupa de seda:

«Eis a Santíssima Virgem»

diz seu pequeno guia. Ela não quer acreditar. A criança, porém, repete com uma voz mais forte:

«Eis a Santíssima Virgem»

Catarina corre aos joelhos da Santíssima Virgem sentada na cadeira. Então não fiz senão dar um salto para junto d’Ela, e, de joelhos, sobre os degraus do altar, as mãos apoiadas nos joelhos da Santíssima Virgem:

«Aí, passei um momento, o mais suave de minha vida. Ser-me-ia impossível dizer o que experimentei. A Santíssima Virgem disse-me como eu devia conduzir-me com o meu confessor e várias coisas mais».

Catarina recebe o anúncio de sua missão e o pedido de fundação de uma Confraria dos Filhos de Maria. O que será realizado pelo Padre Aladel no dia 2 de fevereiro de 1840.

Um 27 de novembro

Segunda Aparição
27 de Novembro de 1830

A Santíssima Virgem, no dia 27 de novembro de 1830, aparece de novo, na Capela, à Catarina Labouré. Dessa vez foi às 17h30, durante a oração das Irmãs e das noviças, sobre o quadro de São José (hoje, o local onde se encontra a Virgem do Globo). Antes, Catarina vê dois globos vivos, que passam, um após o outro, e nos quais a Santíssima Virgem se mantém em pé, sobre a metade do globo terrestre, seus pés esmagando a serpente.

No primeiro quadro, a Virgem Maria traz nas mãos um pequeno globo, dourado, com uma cruz superposta, que Ela eleva aos céus. Catarina ouve:

«Este globo representa o mundo inteiro, particularmente a França e todas as pessoas».

No segundo, saem de suas mãos abertas raios de um brilho resplandecente. Catarina ouve ao mesmo tempo uma voz que lhe diz:

«Estes raios são o símbolo das graças que Maria alcança para os homens».

Virgem com o globo

Depois, em forma oval, forma-se a aparição e Catarina vê inscrita, em letras de ouro, esta invocação: «Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós!».

Então uma voz se faz ouvir:

«Fazei cunhar uma medalha sob este modelo. As pessoas que a usarem, com confiança, receberão muitas graças».

Finalmente, ao redor, Catarina vê o reverso da Medalha: no alto, uma cruz, com a inicial do nome de Maria superposta, e, em baixo, dois corações, um coroado de espinhos, e outro, transpassado por uma lança.

Um adeus

No mês de novembro de 1830, durante a oração, Catarina ouve de novo um “frou-frou”, desta vez atrás do altar. O mesmo quadro da medalha se apresenta perto do tabernáculo, um pouco atrás.

«Estes raios são o símbolo das graças que a Santíssima Virgem alcança para as pessoas que lhe pedem… Você não me verá mais».

Eis o fim das aparições. Catarina comunica ao seu confessor, Padre Aladel, o pedido da Santíssima Virgem. Ele a acolhe formalmente, proibindo-a de pensar sobre o assunto. O choque é muito forte.

A 30 de janeiro de 1831, ela termina o seminário. Catarina recebe o hábito. No dia seguinte, ela parte para o Asilo de Enghien, fundado pela família de Orléans, à rua de Picpus, 12, em Reuilly, a leste de Paris, num bairro miserável, onde, incógnita, servirá os pobres durante 46 anos.

A Medalha


Nesta Capela, escolhida por Deus, a Virgem Maria, em pessoa, veio revelar sua identidade através de um pequeno objeto, uma medalha, destinada a todos sem distinção!

A identidade de Maria era objeto de controvérsia entre teólogos, desde os primeiros tempos da Igreja. Em 431, o Concílio de Éfeso tinha proclamado o primeiro dogma marial: Maria é mãe de Deus. A partir de 1830, a invocação:

«Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós»

que sobe ao céu, milhares e milhares de vezes repetida por milhares e milhares de corações de cristãos do mundo inteiro, a pedido da própria Mãe de Deus, vai produzir seu efeito!

A 8 de dezembro de 1854, Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição: por uma graça especial que lhe vinha da morte de seu Filho, Maria é sem pecado desde o começo de sua concepção.

Quatro anos mais tarde, em 1858, as aparições de Lourdes irão confirmar a Bernadette Soubirous, o privilégio da mãe de Deus.

Coração Imaculado, Maria é a primeira resgatada pelos méritos de Jesus Cristo. Ela é luz para nossa terra. Todos somos como a Virgem Maria, destinados à felicidade eterna.

Uma medalha, milagrosa… por quê?… luminosa em quê?… e dolorosa?

Milagrosa…

Alguns meses após as aparições, Irmã Catarina é nomeada para o Asilo de Enghien (Paris XII), a fim de cuidar dos anciãos. Ela se põe ao trabalho. A voz interior, porém, insiste: é preciso fazer cunhar a medalha. Catarina volta a falar ao seu confessor, o Padre Aladel.

Em fevereiro de 1832, grassa uma terrível epidemina de cólera, que vai fazer mais de 20.000 mortos! As Filhas da Caridade começam a distribuir, em junho, as 2.000 primeiras medalhas cunhadas a pedido do Padre Aladel.

As curas multiplicam-se, bem como as proteções e conversões. É um alastramento. O povo de Paris chama a medalha de «milagrosa».

No outono de 1834 há mais de 500.000 medalhas. Em 1835 mais de um milhão no mundo inteiro. Em 1839, a medalha é distribuída a mais de dez milhões de exemplares. À morte de Irmã Catarina, em 1876, contam-se mais de um bilhão de medalhas!

Luminosa…

As palavras e desenhos gravados no verso da medalha expressam uma mensagem sob três aspectos intimamente ligados.

«Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós».

A identidade de Maria nos é revelada explicitamente aqui: a Virgem Maria é imaculada desde sua concepção. Desse privilégio que já lhe foi concedido pelos méritos da Paixão de seu Filho, Jesus, o Cristo, decorre a força poderosa de intercessão que ela exerce para com aqueles que a rogam. Eis por que, a Virgem Maria convida a todos os homens a recorrerem a ela nas dificuldades de sua vida.

Seus pés pisam uma metade da esfera e esmagam a cabeça de uma serpente. A semi-esfera é a metade do globo, é o mundo. A serpente, entre os judeus e cristãos, representa Satã e as forças do mal.

A Virgem Maria engaja-se no combate espiritual, o combate contra o mal, do qual o mundo é o campo de batalha. Ela nos chama a entrar, nós também, na lógica de Deus que não é a lógica do mundo. E esta a graça autêntica de conversão que o cristão deve pedir a Maria, para transmiti-la ao mundo.

Suas mãos estão abertas e seus dedos estão adornados com anéis revestidos de pedras preciosas, de onde saem raios que caem sobre a terra, ampliando-se para baixo.

O brilho desses raios, bem como a beleza e a luz da aparição, descritas por Catarina, chamam, justificam e alimentam nossa confiança na fidelidade de Maria (os anéis) para com seu Criador e seus filhos, na eficácia de sua intervenção (os raios de graça que caem à terra) e na vitória final (a luz) pois, Ela, primeira discípula, é a primeira resgatada.

Dolorosa…

A medalha traz no seu reverso uma inicial e desenhos que nos introduzem no segredo de Maria.

A letra «M» está encimada pela Cruz do Cristo.

Os dois sinais entrelaçados mostram a relação indissolúvel que liga o Cristo à sua Santíssima Mãe. Maria está associada à missão Salvífica da humanidade pelo seu Filho Jesus e participa pela sua compaixão no próprio ato do sacrifício redentor do Cristo.

Em baixo, dois corações, um contornado de uma coroa de espinhos, o outro transpassado por uma lança.

O coração coroado de espinhos, é o Coração de Jesus. Lembra o episódio cruel da Paixão do Cristo, narrado nos evangelhos, antes de sua morte. Significa sua Paixão de amor pelos homens.

Este coração transpassado por uma lança, é o Coração de Maria, sua Mãe. Lembra a profecia de Simeão contada nos evangelhos, no dia da Apresentação de Jesus no templo de Jerusalém, por Maria e José. Significa o amor do Cristo que invade Maria e seu amor por nós: pela nossa Salvação, Ela aceita o sacrifício do seu próprio Filho.

A aproximação dos dois Corações expressa que a vida de Maria é vida de intimidade com Jesus.

Doze estrelas estão gravadas ao redor da medalha.

Correspondem aos doze apóstolos e representam a Igreja. Ser Igreja, é amar o Cristo e participar de sua paixão pela Salvação do mundo. Cada batizado é convidado a associar-se à missão do Cristo, unindo seu coração aos Corações de Jesus e de Maria.

A medalha é um apelo à consciência de cada um, para que escolha, como o Cristo e Maria, o caminho do amor, até o dom total de si mesmo.



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FONTE: http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com/langues/portugues/as-aparicoes-a-medalha/ - Alguns destaques foram acrescidos.


domingo, 19 de julho de 2020

A PRIMEIRA APARIÇÃO DA VIRGEM IMACULADA A SANTA CATARINA LABOURÉ

A PRIMEIRA APARIÇÃO DA VIRGEM IMACULADA A SANTA CATARINA LABOURÉ


Estamos no mês de julho, e é neste mês que, no ano de 1830, iniciam-se as aparições da Santíssima Virgem Imaculada à sua confidente Santa Catarina Labouré.

Na Primeira Aparição, Nossa Senhora ainda não revela a Medalha Milagrosa, apenas adverte a humilde Noviça de que Deus tem uma grande missão para ela, e logo em seguida passa a revelar os tristes acontecimentos que cairão sobre o mundo, especialmente a França, demonstrando grande preocupação e pesar com tudo que estava por vir, e ao mesmo tempo garante sua especialíssima proteção às duas Congregações fundadas por São Vicente de Paulo, Padres da Missão (Lazaristas) e a Companhia das Filhas da Caridade.

Na noite de 18 para 19 de julho de 1830, festa de São Vicente de Paulo1, pela primeira vez Santa Catarina vê Nossa Senhora. É seu Anjo da Guarda, na forma de um menino, que a conduz até a Virgem. Ainda uma vez, passemos a ler seu relato, que impressiona pela simplicidade e unção:

'Haviam-nos distribuído um pedaço de roquete de linho de São Vicente. Eu cortei a metade e a engoli, e adormeci com o pensamento de São Vicente me obteria a graça de ver a Santíssima Virgem.

'Afinal, às onze e meia da noite, ouvi me chamarem pelo nome: Irmã Labouré! Irmã Labouré! Acordando, olhei para o lado de onde vinha a voz, que era o lado da passagem. Corro a cortina e vejo um menino vestido de branco, de mais ou menos quatro a cinco anos, e ele me diz: Levantai-vos logo e vinde à Capela: a Santíssima Virgem vos espera! …


'Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino, que tinha ficado de pé, sem avançar além da cabeceira da minha cama. Ele me seguiu, ou melhor, eu o segui, com ele sempre à minha esquerda, levando claridade pelos lugares onde passava. Por todos lugares onde passávamos, as luzes estavam acesas, o que espantava muito. Porém, muito mais surpresa fiquei quando entrei na Capela: a porta se abriu mal o menino a tocara com a ponta do dedo. Mas minha surpresa foi ainda maior quando vi todos as velas e castiçais acesos, o que me fazia lembrar a missa da meia-noite.

'Entretanto, não via a Santíssima Virgem. O menino me conduziu ao presbitério, ao lado da cadeira de braços do Sr. Diretor. Ali me pus de joelhos, e o menino permaneceu de pé todo o tempo … Por fim, chegou a hora, o menino me advertiu: Eis a Santíssima Virgem.

'Ouvi então um ruído, como um frufru de vestido de seda, que vinha do lado da tribuna, junto ao quadro de São José, e que pousava sobre os degraus do altar; do lado do Evangelho, sobre uma cadeira semelhante à de Sant'Ana. …

'Então, olhando para a Santíssima Virgem, dei um salto para junto dEla, pus-me de joelhos sobre os degraus do altar; com as mãos apoiadas sobre os joelhos da Santíssima Virgem.

'Ali se passou o mais doce momento de minha vida. Não me será possível dizer tudo o que senti. Ela me disse como eu devia me conduzir em relação ao meu diretor espiritual, e várias coisa que não devo dizer; a maneira de me conduzir em meus sofrimentos: vir lançar-me ao pé do altar (e mostrava com a mão esquerda o pé do altar) e ali abrir meu coração. Ali receberia todas as consolações de que tivesse necessidade. Então lhe perguntei o que significam todas as coisas que eu tinha visto, e Ela me explicou tudo.'

O colóquio com Nossa Senhora prolongou-se por aproximadamente uma hora e meia.

Em outro manuscrito, Santa Catarina Labouré foi mais explícita e revelou, pelo menso em parte, o que ouviu da Santíssima Virgem. Num primeiro momento, Nossa Senhora falou à jovem noviça sobre a missão que Deus lhe queria cofiar, as dificuldades que teria para cumpri-la, e como devia portar-se co seu confessor:

'Minha filha, o bom Deus quer encarregar-vos de uma missão. Tereis muito que sofrer; mas superareis esses sofrimentos pensando que o fareis para glória do bom Deus. … Sereis contraditada. Mas tereis a graça. Não temais. Dizei tudo [a vosso confessor] com confiança e simplicidade. Tende confiança, não temais.'

Mais adiante, Nossa Senhora passou a falar de acontecimentos futuros que logo se verificariam:

'Os tempos serão maus. Os males virão precipitar-se sobre a França. O trono será derrubado. O mundo inteiro será transtornado por males de toda ordem. (A Santíssima Virgem tinha um ar muito triste ao dizer isso). Mas vinde ao pé deste altar. Aqui graças serão derramadas sobre todas as pessoas, grandes e pequenas, que as pedirem com confiança e fervor.'

Em seguida, Nossa Senhora falou a respeito da comunidade das Filhas da Caridade, a que pertencia Santa Catarina, e dos Sacerdotes da Congregação da Missão (Lazaristas), também fundados por São Vicente de Paulo:

'Minha filha, eu gosto de derramar graças sobre a comunidade em particular. Eu gosto muito dela, felizmente. Sofro, porém, porque há grandes abusos m matéria de regularidade. As Regras não são observadas. Há grande relaxamento nas duas comunidades. Dizei-o àquele que está encarregado de vós, ainda que ele não seja o superior: Ele será encarregado de um maneira particular da comunidade. Ele deve fazer tudo o que lhe for possível para repor a regra em vigor. Dizei-lhe, de minha parte, que vigie sobre as más leituras, as perdas de tempo e as visitas.'

Voltou, em seguida, a falar de terríveis acontecimentos que aconteceriam em futuro mais distante, prevendo com quarenta anos de antecedência as agitações da Comuna e o assassínio do Arcebispo de Paris, e prometendo sua especial proteção, nessas horas trágicas, aos filhos e às filhas de São Vicente de paulo:

'Conhecereis minha vista e a proteção de Deus, e a de São Vicente, sobre as duas comunidades. Tendes confiança! Não percais a coragem. Eu estarei convosco. Mas não se dará o mesmo com outras comunidades. Haverá vítimas (ao dizer isto, a Santíssima Virgem tinha lágrimas nos olhos). Para o Clero de Paris, haverá vítimas: Monsenhor, o Arcebispo (a esta palavra, lágrimas de novo) morrerá.


Minha filha, a cruz será desprezada e derrubada por terra. O sangue correrá. Abrir-se-á de novo o lado de Nosso Senhor. As ruas estarão cheias de sangue. Monsenhor, o Arcebispo, será despojado de suas vestes (aqui a Santíssima Virgem não podia mais falar; o sofrimento estava estampado em seu rosto). Minha filha, me dizia Ela, o mundo todo estará na tristeza. A estas palavras, pensei quando isso se daria. E compreendi muito bem: quarenta anos.'

Catarina, como sempre, tudo relatou com fidelidade a seu confessor. Este novamente se mostrou severo, dizendo tratar-se de 'pura ilusão' e repreendendo a noviça: 'Se queres honrar Nossa Senhora, imitai suas virtudes e precavei-vos contra a imaginação'. Mas o incrédulo confessor não pôde deixar de ficar estarrecido porque, já uma semana depois, as profecias começavam a se cumprir.

A 27 de julho tinham início as primeiras desordens de rua e em poucos dias estava deposto o Rei Carlos X. Ademais de liberal, a revolução de 1830 teve um caráter violentamente anticlerical. Numerosas igrejas foram profanadas, conventos masculinos e femininos foram invadidos, sacerdotes e religiosas sofreram perseguições. Mas os Lazaristas e as Filhas da Caridade, de acordo com a promessa de Nossa Senhora, atravessaram sem danos por esse período crítico.”2

Assim se deu a Primeira Aparição da Virgem Imaculada na Capela das Filhas da Caridade, em Paris, rue du Bac, 140, à humilde noviça, Catarina Labouré, que há pouco havia ingressado no noviciado.

Das três aparições que se têm notícia, essa foi uma das mais longas e mais densa de revelações, e como já vimos anteriormente, precedida de sonho e visões do coração de São Vicente de Paulo e de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento.

Concluamos com o Ato de Consagração à Santíssima Virgem, a fim de que Ela nos ajuda a jamais perdermos a fé e a confiança na misericórdia divina e na sua poderosa intercessão em nosso favor:


Ó VIRGEM MÃE DE DEUS, MARIA IMACULADA, nós vos oferecemos e consagramos sob o título de NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA, o nosso corpo, o nosso coração, a nossa alma, e todos nossos bens, espirituais e temporais. Fazei que esta Medalha seja para cada um de nós um sinal certo de Vosso afeto para conosco, e uma recordação contínua dos nossos deveres para convosco. E ao trazer a vossa Medalha, guie-nos sempre a vossa amável proteção e nos conserve na graça de vosso Divino Filho.

Ó poderosíssima Virgem, Mãe de Nosso Salvador, conservai-nos unidos a Vós em todos os momentos de nossa vida. Alcançai a todos nós, os vossos filhos, a graça de uma boa morte, a fim de que juntos convosco possamos gozar um dia da celeste beatitude. Amém.

Repete-se 3(três) vezes a invocação: – Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.




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1 Na época, antes da Reforma do Calendário Litúrgico, São Vicente de Paulo era celebrado no dia 19 de Julho, hoje, no dia 27 de Setembro.

2 SANTOS, Armando Alexandre dos. “A Verdadeira História da Medalha Milagrosa”, Editora Artpress, 2ª edição, São Paulo/2017, pp. 21 a 25.


quarta-feira, 27 de novembro de 2019


27 DE NOVEMBRO – FESTA DA VIRGEM IMACULADA DA MEDALHA MILAGROSA


27 DE NOVEMBRO DE 1830
A SEGUNDA APARIÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM A SANTA CATARINA LABOURÉ


Já se passavam mais de quatro meses daquela ditosa noite que a Santíssima Virgem Imaculada havia se manifestado à Irmã Catrina Labouré, e logo no início do colóquio tido com a Noviça, sua vidente e confidente, lhe anunciara: «Minha filha, Deus quer confiar-vos uma missão.» Diante de um anúncio desta natureza, Irmã Catarina passava os dias, semanas e os meses que se seguiram à espera da missão a ser revelada, e assim expressava sua expectativa:Eu tinha a convicção de que ela voltaria, assim escreveria em 1841, e que A veria no esplendor de sua beleza1.

Bela, de uma beleza que só ela possui, é assim que vai se revelar à sua filha Aquela que a Igreja chama: Mãe admirável e “uma terra bendita e sacerdotal, santa e isenta de mancha original”2.

- Narração escrita pela própria Vidente, em 1841.

A Irmã Catarina, por ordem do diretor espiritual, teve de escrever, em 1841, várias narrações sobre a aparição de 27 de Novembro de 1830. Eis a mais completa:

Hoje é dia da Assunção da Santíssima Virgem (15 de Agosto de 1841). Oh! Rainha que vos assentais perto de Deus, ouvi favoravelmente as minhas súplicas; é por vós e para maior glória vossa que vos peço esclarecer o meu espírito e dar-me a força e a coragem necessárias de tudo fazer por vosso amor. Perece que estou vivendo aquele momento, para mim tão caro, – aquele sábado, véspera do primeiro domingo do Advento.

Jesus, Maria, José.

O dia 27 de Novembro de 1830 era o sábado antes do primeiro domingo do Advento. As cinco e meia da tarde, depois da leitura da meditação, pareceu-me ouvir um ruído do lado da tribuna3, perto do quadro de S. José, como o fru-fru de um vestido de seda4.

Tendo eu olhado para esse lado, percebo a Santíssima Virgem na altura do quadro: estava de pé, vestida de branco-aurora, feito à moda que ordinariamente chamam à la vierge, de mangas compridas, com um véu branco, que lhe descia até a orla do vestido; por baixo do véu percebi os seus cabelos, separados em bandós, sob uma renda de três centímetros de largura, mais ou menos, sem pregas, pousando ligeiramente sobre os cabelos. Tinha o rosto bastante descoberto; os pés apoiavam-se sobre uma esfera, ou antes, sobre a metade de uma esfera, pois só se via a metade5.

Além disto, ela segurava nas mãos uma bola, que penso representar o globo terrestre, e levanta-a com ambas as mãos, sem nenhum esforço, até a altura do peito. Tinha os olhos voltados para o céu … o seu rosto era de tão pura beleza, que nem ouso tentar descrever.

A Virgem Imaculada com o globo nas
mãos

De repente, percebi anéis nos seus dedos, engastados de pedras brilhantes, uma maiores e mais belas do que as outras, das quais saiam raios que eram, também, uns mais belos do que os outros. Das pedras maiores saiam raios mais intensos do que os das menores. Esses raios iam-se alargando, à medida que desciam, a ponto de não me deixarem mais ver os pés da Virgem.

Enquanto eu me embevecia em contemplá-la, a Santíssima Virgem abaixou os olhos, fixando-os sobre mim. Ouvi uma voz que me disse: «Este globo, que vedes, representa o mundo inteiro, particularmente a França ...(Aqui eu não sei exprimir o que senti, nem como eram belos e deslumbrantes os raios, que via …)  Estes raios simbolizam as graças que derramo sobre as pessoas que mas pedem.»

A Santa Virgem fez-me compreender quanto lhe são agradáveis as orações dos que a invocam, e quanto é generosa em conceder o que lhe pedem. – Nesse momento não sei onde eu estava, nem onde eu não estava …

Formou-se um quadro em torno da Santíssima Virgem, de forma oval, no alto do qual estavam escritas, com letras de ouro, estas palavras: «Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!»

Ao mesmo tempo, uma voz me disse: «Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. As pessoas que a trouxerem ao pescoço receberão muitas graças. As graças serão mais abundantes para os que a trouxerem com inteira confiança.»

Poucos instantes depois, pareceu-me que o quadro girou sobre si mesmo, e vi o reverso da medalha. Fiquei inquieta por saber o que deveria colocar no dito reverso. Um dia, durante a meditação, ouvi uma voz que dizia: «O M e os dois corações dizem o bastante.»6

Detalhe dos raios que emanavam das mãos
da Santíssima Virgem

Como é possível notar-se, o relato feito pela Irmã Catarina e transcrito acima, embora seja o mais completo, ainda restam alguns pormenores que foram sendo revelados em outras narrativas, nas quais forneceu maiores detalhes, como: A Santíssima Virgem apresentava altura mediana, o vestido subia até o pescoço, o véu cobria a cabeça e descia, de cada lado, até os pés; sobre os cabelos trazia uma espécie de touca margeada de pequena renda de, mais ou menos, dois dedos de largura; o rosto não só estava bastante descoberto, mas inteiramente descoberto; havia sob os pés um globo branco;os olhos ora estavam erguidos para o céu, ora baixos. – A voz que falava à Vidente, fazia-se ouvir no fundo do coração. E a Irmã Catarina termina sua declaração deste modo: Tudo desapareceu como alguma coisa que se esvai. Fiquei cheia, não sei, não sei de que, de bons sentimentos, de alegria, de consolação.

Interrogada mais se não havia outro emblema sob os pés da Santíssima Virgem, além da metade da esfera citada no texto, a Vidente respondeu: Havia também uma serpente de cor esverdeada com manchas amarelas.7

Sobre a posição das mãos o manuscrito diz que estavam à altura do peito, segurando o globo; mas, repetidas vezes, a Vidente declarou que, quando o globo desapareceu, os braços da Virgem se estenderam e as mãos se abriram, como na Medalha Milagrosa8.

Havia três anéis em cada dedo das mãos: o mais grosso perto da mão, o médio na segunda falange, e o menor na extremidade do dedo; e cada anel estava enriquecido de pedras cintilantes, de grossura proporcional9.
A Medalha Milagrosa


A jaculatória: Ó Maria concebida sem pecado, formava um semi-círculo, começando à altura da mão direita, passando por cima da cabeça da Virgem, e terminando na altura da mão esquerda.

Uma pequena cruz de ouro, terminada por um pequeno traço na base, estava por cima da letra M; e por baixo da letra viam-se os dois corações de Jesus e de Maria, os quais a Vidente reconheceu bem, porque: um estava cercado por uma coroa de espinhos e o outro trespassado pela espada.10

As doze estrelas, que sempre figuraram na Medalha Milagrosa, a Irmã Catarina afirmou muitas vezes, oralmente, tê-las visto durante as aparições. É, portanto, um fato moralmente certo.11

A manifestação da Santíssima Virgem, tal qual descrevemos acima, renovou-se muitas vezes, com o mesmo conjunto de circunstâncias, em datas indeterminadas.
Síntese das Aparições de 1830


Portanto, assim se deu a Segunda Aparição da Virgem Imaculada a Santa Catarina Labouré no dia 27 de Novembro de 1830, talvez, a mais importante das aparições, pois foi nesta que lhe foi revelada a grande Missão que Deus lhe confiava: ser a Mensageira da Medalha Milagrosa para o mundo.


Neste dia que a Igreja celebra a Festa da Virgem Imaculada Nossa Senhora da Medalha Milagrosa ou, como também é conhecida, Nossa Senhora das Graças, queremos terminar esta postagem renovando a nossa consagração à Santíssima Virgem, com a oração de consagração recitada nos dias de sua Novena Perpétua.

Ó Virgem Mãe de Deus, Maria Imaculada, nós vos oferecemos e consagramos sob o título de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, o nosso corpo, o nosso coração, a nossa alma, e todos nossos bens, espirituais e temporais. Fazei que esta Medalha seja para cada um de nós um sinal certo de Vosso afeto para conosco, e uma recordação contínua dos nossos deveres para convosco. E ao trazer a vossa Medalha, guie-nos sempre a vossa amável proteção, nos conserve na graça de vosso Divino Filho. ó Poderosíssima Virgem, Mãe de Nosso Salvador, conservai-nos unidos a Vós em todos os momentos de nossa vida. Alcançai a todos nós, os vossos filhos a graça de uma boa morte, a fim de que juntos convosco possamos gozar um dia da celeste beatitude. Amém.
Reza-se três Ave Marias …
3x: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!




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1 A expressão francesa é belíssima e inimitável: “J'avais la conviction que je l'a verrais belle dans son plus beau.”.

2 “Terra es benedicta et sarcerdotalis, sancta et imunis culpae originalis.” (Hino da Sexta, no peq. Ofício da Im. Conc.).

3 A mesma tribuna do lado da epístola, perto do quadro de S. José. Na primeira aparição foi desse lugar que a Santíssima Virgem desceu e se assentou nos degraus do altar na cadeira do Padre Diretor.

4 O dicionário ortográfico de língua bras., de H. Lima e G. Barroso aceita este neologismo (na linguística, é a utilização de novas palavras a partir de outras já existentes, num mesmo idioma ou não - “aplicativo Dicio”).

5 Não há tradução para esta expressão francesa: “à la vierge”. Damos em grifo, como um título a esse feito de vestido.

6 Esta é a segunda narrativa da Irmã Catarina, em 1841.

7 “La Médaille miraculeuse”, p. 82.

8 Inquérito canônico, p. 10.

9 “La Médaille miraculeuse”, p. 75.

10 Deposição do Padre Aladel, Inquérito, p. 2.

11 “La Médaille miraculeuse”, p. 76.







FONTE: CASTRO, Padre Jerônimo Pedreira de. “Santa Catarina Labouré e a Medalha Milagrosa”, Editora Vozes, 2ª edição/1951. pp. 87 a 95 – Título e destaques são nossos.