Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A VIRGEM COM O GLOBO, A VIRGEM PODEROSA OU VIRGO POTENS – UM SEGREDO AINDA A REVELAR – PARTE II


1ª Fase da Aparição do dia 27 de
Novembro de 1830, a Virgem com o
globo
O primeiro cuidado da Irmã Dufès, depois desta memorável confidência, foi entender-se com as duas Irmãs indicadas pela favorecida das visões da Mãe de Deus. Escreveu à Irmã Grant, que era então Superiora do hospital de Rion, e recebeu, datada de 24 de Junho de 1876, a seguinte resposta:

“Sim, minha boa Irmã Dufès, a nossa Rainha apareceu sustendo o globo do mundo nas suas mãos virginais e benditas, aquecendo-o com o calor de seu afeto, mantendo-o à altura de seu coração misericordioso e olhando para ele com inefável ternura.

“Possuo ainda um esboço, desenhado há muito tempo, apresentando-a deste modo. Não sei se o encontrarei entre os papeis ou entre os livros, porque já faz muitos anos que este desenho foi feito. O digno e saudoso Padre Aladel, provavelmente, a pedido da Irmã das Visões, teve a ideia de perpetuar a lembrança deste fato, mandando desenhar uma segunda imagem, que representasse esta nova forma de aparição, mas esta imagem não foi publicada[1].
Ilustração da 1ª e 2ª Aparições de Nossa Senhora da Medalha
Milagrosa. Nos dois quadros à direita, vê-se a Fase 1 e Fase 2
da Aparição de 27 de Novembro de 1830: a Virgem com  o
globo, e a Virgem com os braços estendidos, em ambas der-
ramando raios (graças)

“Aliás, essa nova visão em nada contradiz a primeira, porquanto a Santíssima Virgem se mostrou também nesta com os braços estendidos, derramando raios sobre o mundo, inundando-o de misericórdia, cobrindo-o, especialmente a França, com os seus dons inefáveis.

“Parece que no momento em que a augusta Virgem levantava o mundo à altura do seu coração materno, diamantes, safiras e toda a pedraria refulgente irradiavam de suas mãos benditas e cobriam nossa pobre terra, enchendo-a de misericórdia e de liberalidades. O mesmo aconteceu, quando as mãos se abriram, espalhando pelo mundo mil ondas de amor e de bênçãos. Como eu gosto de lembrar-me destas coisas!
Primeiro modelo da estátua da Virgem com
o globo, de Froc-Robert
 

“O que lastimo é que nosso venerando Padre Aladel não tenha deixado, ao menos em notas, as particularidades que, conforme me disse uma vez, não podia tornar públicas, porque a sua revelação no momento importava na pessoa que tivera a visão. Não ousei pedir-lhe nada neste sentido, visto como qualquer informação podia revelar-me quem era a Vidente. Eu, não obstante, tinha a certeza de que sabia quem era, porque por vezes ele me falou do insigne favor, deu-me a felicidade de escrever o que ditava, e de ouvir as suas piedosas e empolgantes reflexões sobre o assunto.

“São estas as informações que posso dar. Elas justificam o que, poucos anos mais tarde, dizia o Santo Cura D'Ars, falando de nós: Como a Santíssima Virgem quer bem à Irmãs de Caridade! Como vela continuamente por elas! – Estas palavras fazem-me estremecer de alegria. Se elas fossem conhecidas e compreendidas, parece-me que o noviciado seria insuficiente para conter o número de vocações. Mas devemos manter-nos sempre humildes como S. Vicente”.


Imagem confeccionada da Virgem
com o globo, presente na Capela
da Rue du Bac, 140, Paris, no
lado correspondente à Aparição
Esta carta da Irmã Grant bastou para pôr fim às perplexidades da Superiora de Reuilly. Com a aprovação dos Superiores, mandou-a fazer a estátua da Santíssima Virgem com o globo nas mãos, conforme as indicações da Vidente, pelo estatuário Froc-Robert[2].


A Irmã Catarina, ao ver a estátua, não pôde conter um gesto significativo de decepção. Apesar dos esforços do artista, ela afirmava que “a Santa Virgem era muito mais bela do que a imagem.”[3] Mas ao menos acabara o martírio da sua vida, e com a consciência tranquila podia, agora, comparecer perante a sua Mãe do céu. Cumprira a sua missão.






__________________
[1] Este desenho ainda se conserva na Casa-Mãe, e data de 1841. Leem-se em baixo estas palavras; “A Santíssima Virgem sustém o globo do mundo nas mãos, iluminando-o de vivos clarões.”
[2] Na confecção da imagem (estátua), a Irmã Dufès observou todas as indicações da Vidente: “Nem demasiado jovem, nem demasiado sorridente, mas com uma seriedade misturada à tristeza, que desaparecia ao longo da visão, quando o rosto se iluminava de clarões de amor, principalmente no instante de sua prece.”, conforme traduziu Chavalier (cf. LAURENTIN, René. “Catarina Labouré Mensageira de Nossa Senhora das Graças e da Medalha Milagrosa”, Paulinas editora, são Paulo/2012, p. 101).
[3] Desde a encomenda ao escultou Froc-Robert, Irmã Catarina já desaprovava e não conseguia esconder sua decepção, tendo, ainda, Irmã Dufès com a Vidente percorrido diversas lojas de Saint-Suplice a fim de encontrarem um modelo (mais próximo possível da visão), sem êxito, entretanto (cf. Idem, p. 102).



ERRATA: Na postagem anterior ("A Virgem com o Globo, A Virgem Poderosa....Parte I"), na legenda da imagem do Padre Aladel, constou que sua morte se deu em "25 de Abril de 1965", quando o correto é: "25 de Abril de 1865", ou seja, pouco mais de onze anos antes da morte de Santa Catarina Labouré. 




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FONTE: CASTRO, Pe. Jerônimo Pedreira de, C.M., “Santa Catarina Labouré e a Medalha Milagrosa”, Editora Vozes, 2ª edição/1951, Cap. VIII, pp. 222 a 226 – O texto foi revisto e atualizado, sendo o título, os destaques e parte das notas de rodapé são nossas.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A VIRGEM COM O GLOBO, A VIRGEM PODEROSA OU VIRGO POTENS – UM SEGREDO AINDA A REVELAR – PARTE I


Ilustração da 1ª Fase da Aparição de 27 de Novembro de 1830. A Virgem Imaculada
com o globo nas mãos e à altura do peito.
               “Foi o martírio de minha vida...” Palavras de Santa Catarina Labouré à sua Superiora, Irmã Jeanne Dufès, ao expressar o sofrimento que a acompanhava desde a segunda Aparição da Santíssima Virgem, em novembro de 1830, trazendo um globo nas mãos e à altura do peito, representando o mundo.

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Desde o começo do ano de 1876, a Irmã Catarina anunciava sua morte. À medida que iam passando as festas da Liturgia ou da Comunidade, dizia: “É a última vez que assisto esta festa.” Aos que julgavam infundada este predição, assegurava com firmeza que ela não veria o ano seguinte.

Era grande seu pesar, vendo a devoção à Imaculada Conceição menor e menos geral do que no tempo do Padre Aladel; e lastimava que o seu diretor espiritual, tão cedo colhido pela morte, não tivesse podido realizar todas as recomendações deixadas pela manifestação da Santíssima Virgem, a 27 de Novembro de 1830.
Padre Aladel, primeiro confessor de
Santa Catarina Labouré, faleceu em
25 de Abril de 1965
 

Sentindo-se, por sua vez, perto de morrer, viu-se constrangida a revelar ao seu último confessor certas particularidades, que sem isso ficariam enterradas para sempre com o Padre Aladel.

Corria o fim do mês de Maio e começo de Junho de 1876. O Padre Chinchon, nomeado diretor do seminário interno da Congregação da Missão, com o qual a Irmã Catarina se confessava desde muitos anos, deixara de ir a Reuily e a Enghien para exercer seu ministério. Entretanto, a ele só é que a Vidente queria confiar os últimos segredos e as apreensões que lhe enchiam a alma.

Para este fim, ela, que nunca saia de casa, foi à Casa-Mãe dos Lazaristas, à rua de Sèvres, com a permissão da sua Superiora, e pediu ao Padre Eugênio Boré, Superior Geral dos Padres e das Irmãs de S. Vicente, a autorização excepcional de se dirigir ainda com o Padre Chinchon sobre assuntos de sua consciência. O Superior Geral não conhecia os fundamentos desse pedido, e recusou conceder essa exceção.

A Irmã Catarina obedeceu; voltou humildemente para casa, mas sofreu uma angústia cruel. Procurou a Superiora e, sem poder conter as lágrimas, que lhe brotavam dos olhos, disse:
Irmã Jeanne Dufès (foto de ABIM)

"Minha Irmã, sinto que estou perto de morrer; como não posso falar ao meu antigo confessor, preciso falar-vos. Sabeis a que respeito?

Irmã Catarina – respondeu a Irmã Dufès (a quem o Padre Etienne dera informações sobre a Vidente) – sei que recebestes a Medalha Milagrosa da nossa Imaculada Mãe. Nunca vos falei disto, para não parecer indiscreta.

Pois bem – replicou a santa Irmã, mais animada com este começo de confidência – Amanhã consultarei a Santíssima Virgem, durante a oração. Se ela me disser que devo falar. Se ela me disser que devo falar, contarei tudo. Ao contrário, se disser que devo calar-me, nada direi a ninguém. Se a Virgem permitir que eu fale, virei procurá-la às dez horas. Conversaremos no parlatório de Enghien; ali estaremos tranquilas”.

A Superiora ouviu estas palavras, ditas entre lágrimas, com comoção extraordinária e aperto do coração. Foi a primeira vez que tomou em consideração o que lhe dizia a Irmã Catarina. Prometeu ir a Enghien. Nessa mesma noite contou à sua auxiliar o que se passara e acrescentou: Imaginai a minha ansiedade até amanhã às dez horas.

No dia seguinte, um pouco antes da hora marcada, a Irmã Catarina chamou a Superiora, que logo atravessou o jardim e penetrou no parlatório de Enghien, onde o colóquio começou. Duas horas durou a audiência. Só o toque do Angelus, ao meio-dia, pôs termo à conferência. No entanto, durante todo esse tempo, as duas irmãs se conservaram de pé, como para uma conversação de poucos minutos.
Imagem existente no jardim do Hospício
de Enghien, perante a qual Santa Cata-
rina fazia diariamente uma breve oração
quando passava para seu ofício

Que declarações fez a Vidente à sua superiora?

“A Irmã Catarina, escreve a Irmã Dufès, durante a nossa conversa, repetiu todas as particularidades das visões da Santíssima Virgem. Num dado momento, disse que a Virgem tinha aparecido com o globo nas mãos, à altura do peito, e viu que a divina Mãe oferecera esse globo a Nosso Senhor, enquanto os seu lábios se lhe moviam. A Irmã compreendeu que a Virgem rezava pelo mundo inteiro.

“Eu objetei o seguinte: nunca se falou desse globo nas mãos da Santíssima Virgem; se falarmos nisto agora, todos dirão que estais ficando louca. Ela respondeu: Não será a primeira vez que me chamam de doida, mas eu direi até meu último suspiro que a Santíssima Virgem, quando me apareceu, tinha o globo do mundo nas mãos.

Que dizia a Santa Virgem ao oferecer o globo?

Ah! Irmã, eu não ouvia, mas compreendi perfeitamente que ela rezava pelo mundo inteiro.

E depois, que foi feito do globo, oferecido pela Virgem?

Irmã, eu não sei. E fez o gesto de estender os braços e as mãos, mas acrescentou: Não vi mais senão raios que caiam sobre outro globo, que a santíssima Virgem pisava, principalmente num ponto onde estava escrita a palavra França.

Mas repliquei, pode prejudicar a Medalha Milagrosa falar-se agora deste globo.

Não, não, Irmã, não se deve tocar na Medalha. Faça-se uma estátua com o globo, e erija-se um altar no mesmo lugar onde a Virgem me apareceu. Esta estátua tem sido o martírio de minha vida; eu não queria comparecer diante da Santíssima Virgem sem que esta estátua estivesse feita”.

A Irmã Catarina indicou duas Irmãs de Caridade, das mais notáveis pelas suas virtudes e pelas relações imediatas com o Padre Aladel, as quais poderiam confirmar a verdade de suas palavras: a Irmã Pineau, primeira sacristã da Rue du Bac, e a Irmã Maria Grant, antiga secretária geral no tempo do Padre Aladel.

A Irmã Dufès estava admiradíssima, ouvindo a Vidente contar com tanta naturalidade e facilidade os favores que havia recebido de Maria Imaculada. Perguntava a si própria se era aquela mesma Irmã tão calada e considerada incapaz de exprimir de modo claro as próprias ideias, e que nem sabia defender-se quando acusada injustamente.

Mais de uma vez, no correr da conversa, a Superiora teve vontade de cair de joelhos aos pés da humilde e santa Vidente; ao menos, pediu-lhe perdão por tê-la tratado com tanto desprezo. A mensageira de Maria humilhou-se também e só exigiu da Superiora que fizesse construir o altar e erigi-se a estátua da “Virgem da Humanidade”, Advocata nostra, chamada hoje de Virgo Potens[1].

Continua....



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[1] Collete Yver, “La vie secrète de Catherine Labouré, p. 239.



FONTE: CASTRO, Pe. Jerônimo Pedreira de, C.M., “Santa Catarina Labouré e a Medalha Milagrosa”, Editora Vozes, 2ª edição/1951, Cap. VIII, pp. 222 a 226 – O texto foi revisto e atualizado, sendo que o título e os destaques são nossos.