Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

São Pio X e a Imaculada Conceição ...

SÃO PIO X E A IMACULADA CONCEIÇÃO


Antigo postal comemorativo do primeiro Cente-
nário da proclamação do dogma da Imaculada
Conceição de Maria
Para compreender a piedade de São Pio X à Imaculada Conceição é preciso recorrer à audiência de 27 de Dezembro de 1908, que o Papa concedeu ao Padre Gebhard, Superior dos padres monfortinos. Nessa audiência, o Papa revelou que conhecia há muito tempo o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luís Maria Grignion de Monfort:: “Vossa Santidade conhece há muito tempo o Tratado de Bem-aventurado Luis de Monfort observou o padre monfortino. É verdade – respondeu o Papa. Quis relê-lo antes de redigir a minha encíclica sobre a Santíssima Virgem.

O trecho que aparece em Gên. 3, 15 é o primeiro fundamento histórico de toda a devoção Mariana segundo o ensinamento de Pio IX e de Pio XII, dado por ocasião da proclamação dos dogmas da Imaculada Conceição (1854) e da Assunção (1950). E esse ensinamento está na base de todo o Tratado, que o explica nestes termos:

É principalmente por estas últimas e cruéis perseguições do diabo, que aumentarão todos os dias até ao reino do Anticristo, que se deve ouvir esta primeira e célebre predição e maldição de Deus, feita no paraíso terrestre, contra a serpente: 'Porei inimizade entre ti e a mulher, e a tua posteridade e a dela; ela te esmagará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar' (Gên. 3, 15). Nunca Deus fez e formou senão uma inimizade irreconciliável, que durará e mesmo aumentará até o fim: é entre Maria, Sua digna Mãe, e o diabo. Não só Deus pôs uma inimizade, mas inimizades, não somente entre Maria e o demônio, mas entre a raça da Santíssima Virgem e a raça do demônio, entre os filhos e servos da Santíssima Virgem, e os filhos e sequazes de Lúcifer. Mas a humilde Maria obterá sempre a vitória sobre esse orgulhoso, e tão grande que irá até lhe esmagar a cabeça onde reside o seu orgulho. Os seus humildes escravos, que ela suscitará para fazer a guerra, em união com Maria, esmagarão a cabeça do diabo e farão triunfar Jesus Cristo.

Esse trecho, conhecido também como Protoevangelho, é a chave da compreensão da devoção de São Pio X à Imaculada Conceição.
São Luís Maria Grignion de
Montfort

São Pio X terá a alegria de celebrar o primeiro jubileu Mariano: o da proclamação do dogma da Imaculada Conceição por Pio IX, em 1854.

O JUBILEU DA IMACULADA

Numa carta de 7 de Dezembro de 1903, São Pio X institui súplicas e concede indulgências e, no dia seguinte, publica a famosa Oração da Novena à Imaculada Conceição que começa com estas palavras: “Virgem Santíssima, que agradastes ao Senhor a ponto de tornar-se em sua Mãe, Virgem Imaculada em vosso corpo, em vossa alma, em vossa fé e em vosso amor. Esta oração retoma o Protoevangelho, traduzido-o em um ato de piedade. São Pio X, desde o início do seu Pontificado, compreendeu que entrava no grande combate entre a Imaculada e o demônio. O seu discurso-programa de 4 de Outubro de 1903 testemunha-o: 

Pode ignorar-se a doença tão profunda e grave que infecta a sociedade humana e que a arrasta para a ruína? Esta doença é, a respeito de Deus, o abandono e a apostasia. Quem pesa estas coisas tem o direito de temer que tal perversão dos espíritos seja o começo dos males anunciados para o fim dos tempos, e que verdadeiramente, o filho da perdição de quem fala o Apóstolo tenha já chegado ao meio de nós. 
Papa São Pio X

Propondo essa bela oração, o Papa sublinha que é sob o estandarte da Imaculada que se quer lançar na batalha contra "a reunião de todas as heresias" que é o Modernismo, e que é na Imaculada que põe toda a sua confiança: Alegrai-vos, Virgem Maria, Vós esmagastes todas as heresias no mundo inteiro.

A ORAÇÃO COMPLETA DE PIO X À IMACULADA CONCEIÇÃO

      “Virgem santa que agradastes ao Senhor a ponto de tornar-se sua Mãe, Virgem Imaculada em vosso corpo, em vossa alma, em vossa fé, em vosso amor, olhai com bondade os infelizes que imploram vossa poderosa proteção.

       A serpente infernal contra a qual foi lançada a primeira maldição continua a combater e a tentar os pobres filhos de Eva.
   Vós, nossa Mãe abençoada, nossa rainha, nossa advogada, vós que esmagastes a cabeça do inimigo desde o primeiro instante de vossa Conceição, recebei nossas orações e, nós vos suplicamos, unidos num único coração, apresentai-as diante do trono de Deus, para que nunca nos deixemos cair nas armadilhas que nos são preparadas, mas que cheguemos todos ao porto da Salvação e que, no meio de tantos perigos, a Igreja e a sociedade cristã cantem mais uma vez o hino da liberdade, da vitória e da paz. Amém"


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FONTES:



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Santa Catarina Labouré e a Cruz Misteriosa ...

SANTA CATARINA LABOURÉ E A CRUZ MISTERIOSA


Na postagem anterior, falávamos sobre a presença da Cruz nas Aparições da Virgem Imaculada e no quanto esse sinal é importante na vida dos cristãos. Hoje queremos reproduzir a narrativa de um fato extraordinário relatado por Santa Catarina e que muito impressionou o Tribunal canônico, e, vale dizer, até hoje não há explicação satisfatória.

Vejamos:

“A 30 de Julho de 1848, a Irmã Catarina escreveu ao Padre Aladel, que vira uma cruz, carregada por muitos homens encolerizados; esses homens percorriam as ruas de Paris, lançando o terror nos corações. A um dado momento, lançaram a cruz na lama e fugiram. A cruz é erguida por outros homens, que a cobrem com um véu; e ouviu-se essa voz: 'O sangue corre, o inocente morre, o pastor dá a vida por suas ovelhas.'

A cruz é ereta sobre o pedestal e ornada com a imagem de Jesus crucificado, como no momento da sua morte, e por trás vê-se a bandeira da França: a parte branca toca a cabeça de Nosso Senhor e simboliza a inocência, a vermelha significa o sangue que corre, e a azul é o emblema de Maria. Esta cruz, chamada cruz da vitória, será muito venerada e será um lugar de peregrinação.

E a Vidente termina com essas palavras ao Padre Aladel: 'Esta é a terceira vez que vos escrevo sobre esta cruz. Consultei a Deus, a Santíssima Virgem e ao nosso bom pai São Vicente, no dia de sua festa e durante a oitava, pedindo que esse pensamento singular saia da minha cabeça. Mas, em lugar de me sentir aliviada, sinto um tormento de declarar tudo isto ao meu diretor.'1
Padre Aladel, diretor espiritual de Santa
Catarina Labouré

Que pode significar essa cruz? E que poderia fazer o Padre Aladel para satisfazer a visão da Irmã Catarina? Muitos perguntam e ninguém sabe explicar. A própria Vidente pretendia ver uma realidade ou um simbolismo? As palavras: 'O pastor dá a vida por suas ovelhas', podem se referir ao Arcebispo de Paris, Monsenhor Affre, que foi mortalmente ferido ao saltar uma trincheira, a 25 de Julho de 1848, cinco dias antes da carta acima referida.

O notável é que, em todas as aparições da Santíssima Virgem, aparece a cruz. No reverso da Medalha Milagrosa, encimando o monograma de Maria, está a cruz, e embaixo os dois corações de Jesus e Maria.

Na noite que precedeu a conversão de Ratisbonne, segundo ele mesmo declarou ao Tribunal, não pôde conciliar o sono, porque lhe parecia ver uma grande cruz, semelhante à da Medalha Milagrosa.

A própria Virgem Imaculada, na visão da noite de 18 para 19 de Julho de 1830, tinha dito à Vidente, entre soluços: 'Minha filha, a cruz será desprezada.' Nossa Senhora referia-se à Comuna de 1870, porque a Irmã Catarina escreveu: 'Eu pensava quando isto haveria de acontecer, e ouvi bem: daqui há quarenta anos.'2

Há, pois, um mistério nessa visão da Irmã Catarina relativa à cruz, a percorrer Paris, carregada por bandidos, e por eles jogada na lama. A Vidente sentiu-se interiormente atormentada até que comunicasse tudo ao seu diretor. O fato desta aparição parece, pois, incontestável.”
Cristo Crucificado. Imagem em
madeira policromada. Foto:
Pinterest.


É, de fato, uma narrativa extraordinária, e, a nosso modesto modo de ver, referia-se ao grave período de guerra e perseguições à Igreja na França. Todavia, deixemos as especulações à parte, pois o que mais sobressai na narrativa dessa visão da santa Vidente é seu simbolismo: a cruz desprezada por uns é acolhida e levantada como estandarte de vitória por outros, por quem a reconhece como símbolo máximo de sua redenção.








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1 Conserva-se até hoje essa narração da Irmã Catarina ao Padre Aladel, entre os papéis manuscritos pela Santa.


2 Depois do falecimento da Irmã Catarina, em 1876, circulou uma pseudoprofecia, atribuída a ela. Diziam que ele escrevera: “Pensei quando isto devia acontecer, e ouvi bem: daqui há quarenta anos, e depois de dez anos haverá a paz.” – Portanto em 1880. Ora, nesse ano não houve algum acontecimento que produzisse a paz … – Mas conservam-se esses manuscritos da Vidente, e em nenhum deles leem-se essas palavras: e dez anos depois haverá paz. Basta isto para provar a falsidade dessa pseudoprofecia que impressionou o Tribunal canônico.




FONTE: CASTRO, Padre Jerônimo Pedreira de. “Santa Catarina Labouré e a Medalha Milagrosa”, Editora Vozes, 2ª edição/1951, Cap. VII – A Bela Alma de Santa Catarina Labouré, pp. 209 a 211. O título e os destaques são nossos, bem como o texto foi revisto e atualizado.