Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A Virgem Imaculada e a Medalha Milagrosa


SANTA CATARINA LABOURÉ E A VISÃO DO CORAÇÃO DE SÃO VICENTE DE PAULO



Em 1856, por obediência ao seu cofessor, Padre Aladel, a Irmã Catarina escreveu a narrativa de suas primeiras visões, de Abril a Julho de 1830. Esta narrativa nos servirá de guia. Apenas explicaremos alguns pontos, e completaremos outros.

Cheguei à Casa-Mãe a 21 de abril de 1830, na quarta-feira antes da Transladação das Relíquias de S. Vicente de Paulo. Feliz e contente, por ter chegado antes deste grande dia, parecia-me não estar mais na terra1. No dia festa, eu pedi a s. Vicente todas as graças, que me eram necessárias, e também pelas suas duas Famílias (os Padres da Missão e as Irmãs de Caridade) e pela França. Parecia-me que todos estavam passando por grande necessidade. Enfim, eu pedia a S. Vicente que me ensinasse o que eu devia pedir, com fé viva.
E todas as vezes que eu voltava de S. Lázaro, durante a novena, à qual as Irmãs iam diariamente em peregrinação, eu sentia grande aflição: parecia-me que ia encontrar em nossa Comunidade a S. Vicente, ou ao menos o seu coração, que me aparecia todas as vezes que eu voltava de S. Lázaro.

Altar de São Vicente de Paulo na capela da Rue du
Bac
, Paris. À frente da imagem, o relicário com o
coração do Santo
Lembremo-nos que esta Irmã Catarina era aquela boa camponesa de Fain-les-Moutiers tão ponderada, cheia de espírito prático, firme e simples. Ela foi sempre o contrário de uma imaginativa ou de uma iluminada.

Onde se mostrava o coração de S. Vicente?
Eu sentia consolação de vê-lo, escreve a Vidente, em cima do pequeno ostensório em que as suas relíquias estavam expostas, na capela da Casa-Mãe.2

Mas sob que forma se manifestava o coração de S. Vicente?
Ele me apareceu de três formas diferentes, em três dias seguidos: branco cor de carne, o que anunciava a paz, a calma, a inocência e a união; depois eu o vi vermelho cor de fogo, o que deve acender a caridade nos corações: parece-me que a Comunidade deve se renovar e se estender até os confins do mundo; finalmente eu o vi vermelho-preto, o que me causou extrema tristeza. Custava-me muito suportar a angústia desta tristeza, e, sem saber como e nem porquê, eu sentia essa tal tristeza, sentia que a causa era a mudança do governo.

A Irmã Catarina conclui a narrativa desta primeira visão, declarando-se inteiramente submissa: “Entretanto, resolvi manifestar tudo isto ao meu confessor, que me acalmou quanto é possível, mandando que eu fastasse todos esses pensamentos.3

É relativamente extraordinário que uma humilde camponesa, inteiramente ignorante de assuntos políticos, tivesse preocupações a respeito da mudança do governo. Mesmo que ela conhecesse as questões políticas do momento, como poderia prever, em plena glória do reino, que a realeza estava em perigo?
Relicário com o coração de S. Vicente, em
visita à Paróquia Nossa Senhora da Salette
de Paris (entre 25.02 e 05.03.17)

Quem, em Abril, poderia sequer pensar nos acontecimentos de Julho, no sangue derramdo na queda de Carlos X?

A Vidente acrescenta que uma voz interior lhe falava: “O coração de S. Vicente está grandemente aflito com os males que vão cair sobre a França.” No derradeiro dia, enquanto o coração do Santo se lhe mostrava, numa bela cor vermelha, a voz interior lhe dizia: “O coração de S. Vicente está um pouco mais consolado, porque obteve de Deus, por intercessão de Maria, que as suas Famílias não perecessem no meio desses males, e que elas servissem para revigorar a fé.

O confessor era o Padre Aladel, ainda moço e inexperiente, e a Irmã Catarina dirigia-se a ele pelo primeira vez. A noviça era recém-chegada no seminário e ainda não dera mostra da natureza do seu temperamento e imaginação. Que crédito mereciam aquelas palavras, anunciando tristezas, quando naquele mês tudo respirava alegrias? O diretor de consciência agiu, pois, prudentemente, mandando que a penitente afastasse esses pensamentos.
Relicário com o coração de São Vicente de
Paulo


O futuro ia provar, de fato, que as duas Famílias de S. Vicente de Paulo se renovariam, no século XIX, no espírito do fundador, e se estenderiam com a graça de Deus até os confins do mundo. Mas o Padre Aladel desconhecia o futuro, e mesmo que conhecesse, devia guardar extrema reserva sobre esta primeira revelação que a jovem Irmã lhe segredava, como sobre as demais que vão seguir quase imediatamente.








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1 Esta solenidade, da qual fala a jovem noviça, foia a maior glorificação que a França prestou a S. Vicente de Paulo. As suas preciosas relíquias permaneceram escondidas durante os anos da Revolução. – De 1815 até 1830 ficaram na Casa-Mãe das Irmãs de Caridade. O Arcebispo de Paris, Monsenhor de Quelen, quis glorificar o “Santo francês por excelência”, que fez, por toda parte, conhecer, amar e bendizer o nome da França, e ordenou que suas relíquias fossem transladadas, com o maior esplendor e grande concorrência de Bispos, de padre e fieis, desde a igreja metropolitana de Notre-Dame até os Padres da Missão, na Rua de Sèvres, 95. – A população de Paris se comprimia nas ruas, e até nos telhados das casas, saudando os despojos do herói da caridade e dano os mais inequívocos sinais de alegria e de respeito.
Mons. de Quelen proferiu nessa tarde memorável estas palavras eloquentes: “Como me sinto feliz! Que doces consolações me proporciona esta festa! Agora, Deus pode enviar-me as tribulações que lhe aprouver; sinto-me com forças para suportá-las, tenho o coração retemperado!”

2 Em frente da porta atual da sacristia, sob o quadro de Sant'Ana, havia uma pequena mesa sobre a qual se a qual se colocava o relicário de S. Vicente durante a novena de sua Festa. Foi aí que se produziu a Aparição durante a meditação das cinco horas da tarde.

3 Carta ao Padre Aladel, em 1856. Arquivo da Casa-Mãe da Rua du Bac.



FONTE: CASTRO, Pe. Jerônimo P. de. “Santa Catarina Labouré e a Medalha Milagrosa”, Editora Vozes, Cap. III, pp. 65 a 69 (texto revisto e atualizado, e grifos acrescidos)

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