Ó MARIA CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

sábado, 18 de agosto de 2018


À VIRGEM IMACULADA: “SALVE RAINHA, MÃE DE MISERICÓRDIA”

(Segunda Parte/Continuação)


MARIA TAMBÉM É MÃE DOS PECADORES ARREPENDIDOS

Maria garantiu a Santa Brígida que é Mãe não só dos justos e inocentes, mas também dos pecadores que se querem emendar. Se, desejoso de emenda, recorre um pecador a esta Mãe de Misericórdia, oh, como a encontra pronta para o abraçar e socorrer, ainda mais do que se fosse sua mãe corporal. Era justamente o que o Papa Gregório VII escrevia à princesa Matilde: “Desiste da vontade de pecar e acharás Maria, eu o garanto, mais pronta em amar-te do que tua própria mãe”.

Portanto, quem aspira ser filho desta grande Mãe, é preciso que primeiro deixe o pecado, e depois será sem dúvida aceito por filho. […]

Mas como ousará chamar-se filho de Maria quem tanto a desgosta com a sua má vida? Certo pecador disse um dia a Maria: “Mostra que és minha Mãe?” E a Virgem lhe respondeu? “Mostra que és meu filho!” Um outro, invocando-a, chamava-lhe Mãe de Misericórdia. Mas Ela lhe disse: “Vós, os pecadores, quando quereis que vos ajude, me chamais de Mãe de Misericórdia; e depois por vossos pecados não cessais de me fazer Mãe de misérias e de dores”. […]

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EFEITOS DO AMOR DE MARIA PARA COM OS PECADORES
Suponhamos que uma mãe soubesse que dois filhos seus eram inimigos mortais, intentando um tirar a vida do outro. Em tal conjuntura não seria dever de toda boa mãe procurar encarecidamente como pacificá-los? Assim pergunta Conrado de Saxônia. “Ora, Maria é Mãe de Jesus e Mãe dos homens. Aflige-se quando vê um pecador inimizado para com Jesus e tudo faz por reconciliá-lo com seu divino Filho”.
Virgem com o Globo (Virgem Poderosa), Rainha do
Mundo
Do pecador só exige a benigníssima Rainha que se recomende a Ela e tenha o propósito de emendar-se. Vendo-o a seus pés a implorar-lhe perdão, não olha para o peso de seus pecados, mas para a intenção com que se apresenta. Se esta é boa, nem que o pobre haja cometido todos os pecados do mundo, abraça-o e como terna Mãe, não desdenha curar-lhe as chagas que traz na alma. Pois é Mãe de Misericórdia, não só de nome, senão de fato, e em verdade tal se mostra pela ternura e pelo amor com que nos socorre. A própria Virgem Santíssima assim o revelou a Santa Brígida. “Por mais culpado que seja um homem, se vem a mim com sincero arrependimento, estou sempre pronta a acolhê-lo. Não considero a enormidade de suas faltas, mas tão somente as disposições do seu coração. Não recuso ungir e curar as suas feridas, porque me chamo e realmente sou Mãe de Misericórdia”.
É Maria a Mãe dos pecadores que se querem converter. Como tal não pode deixar de compadecer-se deles. Parece até que sente como próprios os males de seus pobres filhos. A cananéia, ao pedir que o Senhor lhe livrasse a filha do demônio que a atormentava, disse-lhe:“Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim; minha filha está muito atormentada pelo demônio” (Mt 15, 22). Mas se a filha, e não a mãe, era atormentada pelo demônio, parece que deveria dizer: “Senhor, tem piedade de minha filha!” Mas não; ela disse: “Tem compaixão de mim” e com muita razão. Pois sentem as mães como próprios os sofrimentos dos filhos. Ora, do mesmo modo, disse Ricardo de São Lourenço, pede Maria a Deus quando intercede por qualquer pecador que a Ela recorre. Pede-lhe que dela se compadeça. Meu Senhor — parece dizer-lhe — esta pobre alma, que está em pecado, é minha alma; por isso compadecei-vos não tanto dela, como de mim, que sou sua mãe. […]

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“VIDA E DOÇURA NOSSA”
A oração de Maria obtém-nos a graça da justificação. Para a exata compreensão do porquê a Santa Igreja nos ordena que chamemos Maria de nossa vida, é necessário saber que, assim como a alma dá vida ao corpo, assim também a graça divina dá vida à alma. Uma alma sem a graça divina só tem nome de viva, mas na realidade está morta, como foi dito àquele bispo no Apocalipse: “Tens reputação de que vives, mas estás morto” (Apoc. 3,1). Obtendo Maria, por meio de sua intercessão, a graça aos pecadores, deste modo lhes dá vida. Ouçamos as palavras que a Igreja lhe põe na boca, aplicando-lhe a seguinte passagem do livro dos Provérbios: “Os que vigiam desde manhã por me buscarem, achar-me-ão.” (8, 17). Os que recorrem a mim desde manhã, isto é, sem demora, certamente me acharão. Ou, segundo a tradução grega: encontrarão a graça. De modo que, recorrer a Maria é recorrer à graça de Deus. Lemos por isso pouco depois: “Quem me encontra, encontra a vida e receberá do Senhor a salvação” (Prov. 8, 35). “Ouvi-o, vós que procurais o reino de Deus — exclamou São Boaventura — honrai a Santíssima Virgem Maria e achareis a vida juntamente com a eterna salvação”.
Na afirmação de São Bernardino de Siena, Deus não destruiu o homem logo após o pecado, devido ao singular amor para com esta sua futura filha. Não lhe resta a menor dúvida de que todas as misericórdias e mercês, em favor dos pecadores na Antiga Lei, só lhes tinham sido feitas por Deus em consideração desta abençoada Virgem. […]

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MARIA É TAMBÉM NOSSA VIDA, PORQUE NOS ALCANÇA A PERSEVERANÇA
A perseverança final é um dom divino tão grande que, como disse o santo Concílio de Trento, é um dom todo ele gratuito que de nenhum modo podemos merecer. Contudo, Santo Agostinho diz que alcançam de Deus a perseverança todos aqueles que lha pedem. E conforme diz o Padre Suárez, infalivelmente a alcançam os que são diligentes até ao fim da vida em pedi-la a Deus. Por isso escreve São Belarmino: “Peça-se a perseverança todos os dias, para que ela seja obtida cada dia”. Ora, se é verdade — como eu o tenho por certo, conforme sentença hoje comum que depois mostrarei — que todas as graças que Deus nos dispensa passam pelas mãos de Maria, é também verdade que só por meio de Maria podemos esperar e conseguir esta sublime graça da perseverança. Esta mesma graça Ela promete a todos aqueles que fielmente a servem nesta vida. “Os que agem por mim não pecarão; aqueles que me tornam conhecidos, terão a vida eterna” (Ecli. 24, 30). […]
A Virgem Imaculada com a coroa do martírio a
São Maximiliano M. Kolbe

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POR INTERMÉDIO DE MARIA OBTEREMOS A GRAÇA DA PERSEVERANÇA
Com as palavras do livro dos Provérbios, a nós se dirige Maria: “Feliz aquele que me ouve e que vela todos os dias à entrada da minha casa” (8, 34). Feliz quem escuta a minha voz e por isso está alerta para vir sempre à porta da minha misericórdia, em busca de socorro e de luzes. Sem dúvida não deixará Maria de obter-lhe luzes e força para sair do vício e trilhar a vereda da virtude. Pelo que graciosamente Inocêncio III a chama “lua de noite, aurora de manhã, sol de dia”. É lua para quem está cego na noite do pecado, a fim de esclarecê-lo e mostrar-lhe o miserável estado de condenação em que se acha. É aurora, isto é, precursora do sol para quem já está iluminado, a fim de fazê-lo sair do pecado e recuperar a divina graça. Para quem já está em graça é finalmente sol, cuja luz o livra de cair em algum precipício. […]
Concluamos, pois, com as palavras de São Bernardo: “Homem, quem quer se sejas, já sabes que nesta vida vais flutuando mais entre perigos e tempestades, do que caminhando sobre a terra. Se não queres ser submergido, não apartes os olhos dos resplendores desta estrela. Olha para a estrela, chama por Maria. Nos perigos de pecar, nas moléstias das tentações, nas dúvidas do que deves resolver, considera que Maria te pode ajudar, chama logo por Ela para que te socorra. O seu poderoso nome nunca se aparte do teu coração pela confiança, nem da tua boca para o entoares. Seguindo a Maria, não errarás o caminho da salvação. Quando te encomendares a Ela, não desconfies; sustendo-te, não cairás. Protegendo-te Ela, não temas perder-te; sendo tua guia, sem fadiga te salvarás. Em suma, pretendendo Maria defender-te, certamente chegarás ao reino dos bem-aventurados”. […]

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“DOÇURA NOSSA, SALVE”
“Aquele que é amigo o é em todo tempo; e nos transes apertados conhece-se o irmão” (Prov. 17, 17). Os amigos verdadeiros e os verdadeiros parentes não se conhecem no tempo de prosperidades, mas sim no das angústias e das desventuras. Os amigos do mundo não deixam o amigo, enquanto ele está na prosperidade. Mas o abandonam imediatamente, se lhe acontece uma desgraça ou dele se avizinha a morte. Tal não é o procedimento de Maria para com seus devotos. Nas suas angústias e especialmente nas da morte, que de todas são as piores, essa boa Senhora e Mãe não abandona seus fiéis servos. […]
Quando uma alma está para sair desta vida, diz Isaías, o inferno todo se conturba e manda os demônios mais terríveis a tentá-la antes de sair do corpo para depois acusá-la, quando se apresentar ao tribunal de Jesus Cristo. “O inferno lá embaixo se agita para receber-te à tua chegada e diante de ti levanta gigantes” (Is 14, 9). Mas Ricardo diz que os demônios, em se tratando de uma alma patrocinada por Maria, não terão atrevimento, nem mesmo para acusá-la. Pois sabem muito bem que o Juiz nunca condenou, nem condenará jamais uma alma patrocinada por sua grande Mãe.

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“ESPERANÇA NOSSA, SALVE”
Não suportam os hereges que saudemos e chamemos a Maria nossa esperança. Dizem que só Deus é nossa esperança, e que Ele amaldiçoa quem põe sua confiança na criatura. “Maldito o homem que confia no homem” (Jer 17, 5). Maria é criatura, objetam eles; como, pois, uma criatura há de ser a nossa esperança? Isto dizem os hereges. Entretanto a Santa Igreja quer que cada dia todos os eclesiásticos e todos os religiosos em voz alta, e em nome de todos os fiéis, invoquem e chamem a Maria com este nome de esperança nossa.
De dois modos — diz o angélico Santo Tomás — podemos pôr nossa esperança numa pessoa: como causa principal ou como causa mediata. Quem deseja obter do rei uma graça, espera alcançá-la dele como soberano senhor, e espera obtê-la do seu ministro ou válido, como intercessor. No último caso a graça concedida veio do rei, mas por intermédio do seu valido. Portanto, quem pretende a graça, com razão chama aquele seu intercessor de sua esperança. Por ser de infinita bondade, o Rei do Céu deseja sumamente nos enriquecer com as suas graças. Mas porque para isso é necessária da nossa parte a confiança, para aumentá-la deu-nos o Senhor sua própria Mãe por advogada e intercessora, e concedeu-lhe plenos poderes a fim de nos valer. Por esta razão quer também que nela coloquemos a esperança de nossa salvação e de todo nosso bem. Sem dúvida são amaldiçoados pelo Senhor — como diz Jeremias — aqueles que põem sua confiança unicamente na criatura.
Tal é o procedimento dos pecadores que, em troca da amizade e dos préstimos de um homem, não se incomodam de ofender a Deus. São abençoados pelo Senhor e lhe são agradáveis, porém, os que esperam em Maria, tão poderosa como Mãe de Deus, para impetrar-lhe as graças e a vida eterna. Pois assim Deus quer ver aquela excelsa criatura honrada, Ela que neste mundo o amou e honrou mais do que todos os anjos e homens juntos.
É, portanto, com muita razão que chamamos a Virgem de esperança nossa, porque, como diz o Cardeal São Roberto Belarmino, “esperamos pela sua intercessão obter o que não alcançaríamos só com nossas orações”. Invocamo-la, observa Suárez, “para que a dignidade da intercessora supra a nossa falta de méritos”. De modo que, continua ele, “invocar a Virgem com tal esperança não é desconfiar da misericórdia de Deus, senão temer pela própria indignidade”. […]

Continua …




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FONTE: Revista “Catolicismo”, nº 725, Maio de 2011.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018


À VIRGEM IMACULADA: “SALVE RAINHA, MÃE DE MISERICÓRDIA”

(Primeira Parte)

Rainha Imaculada, Nossa Senhora da Medalha Milagrosa a
Dispensadora de Todas as Graças
(Rua du Bac, 140, Paris)
Neste mês que a Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Maria1 ao céu, em corpo e alma, e em seguida, a Festa Nossa Senhora Rainha2, reproduziremos artigo publicado pela Revista “Catolicismo”, número 725, de Maio de 2011, sob o título “Mas quem terá escrito coisas tão belas sobre a Mãe de Deus?”, consistente num maravilhoso resumo da primeira parte de uma das obras – talvez a mais célebre – de Santo Afonso Maria de Ligório: “Glórias de Maria”.

A obra foi escrita pelo Santo no ano de 1750, quando tinha 53 anos de idade, e em pouco tempo alcançou 11 edições, estando atualmente traduzida em praticamente todas as línguas. É, sem dúvida, um verdadeiro tributo à Santíssima Virgem Maria, que continua promovendo inestimável divulgação da devoção mariana.

Uma fato curioso: quando já estava bem idoso, Santo Afonso pediu a um de seus irmãos Redentorista, que lesse-lhe algum livro de piedade, tendo o referido irmão lido o “Glórias de Maria”, e logo depois perguntou o Santo: “Mas quem terá escrito coisas tão belas sobre a Mãe de Deus?” O religioso olhou a capa e leu o nome do autor: Afonso Maria de Ligório. Diante da resposta, Santo Afonso, com sua peculiar humildade, mudou de assunto.

A primeira parte da obra corresponde à Explicação da oração da SALVE RAINHA3, e das “abundantes e numerosas graças dispensadas pela Mãe de Deus aos que a servem devotamente”, como destaca o artigo publicado.

Em razão da extensão e preciosidade dos textos, resolvemos dividi-lo em três partes, e hoje publicamos a Primeira Parte.

Sou todo teu, Maria.

“SALVE, RAINHA, MÃE DE MISERICÓRDIA”
Tendo sido a Santíssima Virgem elevada à dignidade de Mãe de Deus, com justa razão a Santa Igreja a honra, e quer que seja honrada por todos com o título glorioso de Rainha. Se o Filho é Rei — diz o Pseudo Atanásio — justamente a Mãe deve considerar-se e chamar-se Rainha.
Santo Afonso M. de Ligório, idoso, rodeado por Redentoristas

Desde o momento que Maria aceitou ser Mãe do Verbo Eterno — diz São Bernardino de Siena —, mereceu tornar-se Rainha do mundo e de todas as criaturas. Se a carne de Maria, conclui Arnoldo abade, não foi diversa da de Jesus, como, pois, pode a Mãe ser separada da monarquia do Filho? Por isso deve julgar-se que a glória do reino não só é comum entre Mãe e o Filho, mas também que é a mesma para ambos.
Se Jesus é Rei do Universo, do Universo também é Maria Rainha — escreve Roberto abade. De modo que, na frase de São Bernardino de Siena, quantas são as criaturas que servem a Deus, tantas também devem servir a Maria.
Por conseguinte, estão sujeitos ao domínio de Maria os anjos, os homens e todas as coisas do Céu e da Terra, porque tudo está também sujeito ao império de Deus. Eis por que Guerrico abade lhe dirige estas palavras: “Continuai, pois, a dominar com toda a confiança; disponde ao vosso arbítrio dos bens de vosso Filho; pois, sendo Mãe, e Esposa do Rei dos reis, pertence-vos como Rainha o reino e o domínio sobre todas as criaturas”.

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MARIA É RAINHA DE MISERICÓRDIA
Maria é, pois, Rainha. Mas saibamos todos, para consolação nossa, que é uma Rainha cheia de doçura e de clemência, sempre inclinada a favorecer e fazer bem a nós, pobres pecadores. Quer por isso a Igreja que a saudemos nesta oração com o nome de Rainha de Misericórdia. O próprio nome de rainha — considera Santo Alberto Magno — denota piedade e providência para com os pobres, enquanto o de imperatriz dá ares de severidade e rigor. A magnificência dos reis e das rainhas consiste em aliviar os desgraçados, diz Sêneca. Enquanto os tiranos governam tendo em vista apenas seus interesses pessoais, os reis devem procurar o bem de seus vassalos. Por isso na sagração dos reis se lhes unge a testa com óleo. É o símbolo da misericórdia e benignidade de que devem estar animados para com seus súditos.
Devem, pois, os reis empenhar-se principalmente nas obras de misericórdia, mas sem omitir, quando necessária, a justiça para com os réus. Não assim Maria. Se bem que seja Rainha, não é rainha de justiça, zelosa do castigo aos malfeitores. É Rainha de Misericórdia, inclina só à piedade e ao perdão dos pecadores. Por isso deseja a Igreja que expressamente lhe chamemos Rainha de Misericórdia. […]

Quanta não deve ser, pois, a nossa confiança nesta Rainha, sabendo nós quanto Ela é poderosa perante Deus e cheia de misericórdia para com os homens![...]

Recorramos, pois, e recorramos sempre à proteção desta dulcíssima Rainha, se queremos seguramente salvar-nos. Espanta e desanima-nos a visão de nossos pecados? — Lembremo-nos então que Maria foi eleita Rainha de Misericórdia, precisamente para, com sua proteção, salvar os maiores e mais abandonados pecadores que a Ela se recomendam. […]

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MARIA É NOSSA MÃE ESPIRITUAL
O pecado, quando privou a nossa alma da divina graça, privou-a também da vida. Estávamos, pois, miseravelmente mortos, quando veio Jesus, nosso Redentor, com excessiva misericórdia e amor, restituir-nos a vida pela sua morte na cruz. Ele mesmo o declarou: “Eu vim para elas (as ovelhas) terem a vida, e para a terem em maior abundância” (Jo 10, 10). […]
Se Jesus é Pai de nossas almas, Maria é a Mãe. Pois concedendo-nos Jesus, deu-nos Ela a verdadeira vida. Em seguida proporcionou-nos a vida da divina graça, quando ofereceu no Calvário a vida do Filho pela nossa salvação. Em duas diferentes ocasiões tornou-se, portanto, Maria nossa Mãe espiritual, como ensinam os Santos Padres. […]
Jesus quis ser o único a morrer pela redenção do gênero humano. “Eu calquei o lagar sozinho” (Is 63, 3). Mas viu como Maria desejava ardentemente tomar parte na salvação dos homens. Decidiu então que Ela, com o sacrifício e a oferta da vida do seu mesmo Jesus, cooperasse para nossa salvação, e deste modo viesse a ser Mãe de nossas almas. […]

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MARIA É MÃE MUITO SOLÍCITA E DESVELADA
“Eu sou a Mãe do belo amor” — diz Maria (Ecli. 24, 24). O amor de Maria — observa certo autor — embeleza nossas almas aos olhos de Deus e leva essa amorosa Mãe a nos ter por filhos. Onde está a Mãe, pergunta São Boaventura, que ame seus filhos e vele sobre eles como vós, dulcíssima Rainha, nos amais e cuidais de nosso adiantamento espiritual? […]
Em todas as batalhas com o inferno seremos sempre vencedores seguramente, se recorrermos à Mãe de Deus e nossa, dizendo e repetindo: “Sob a tua proteção nos refugiaremos, ó Santa Mãe de Deus!” […]
Alegrai-vos, portanto, todos os que sois filhos de Maria. Sabei que Ela aceita por filhos seus quantos o querem ser. Exultai! Como temer por vossa salvação, tendo esta Mãe que vos defende e protege?

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GRANDEZA DO AMOR DE MARIA PARA CONOSCO
Maria não pode deixar de amar-nos. Se, pois, Maria é nossa Mãe, consideremos quanto Ela nos ama. O amor dos pais para com os filhos é um amor necessário. E esta é a razão — adverte Santo Tomás — por que, pondo a divina lei preceito aos filhos de amarem os pais, não pôs preceito expresso aos pais de amarem os filhos. Pois o amor aos próprios filhos é amor com tanta força imposto pela própria natureza, que mesmo as feras mais cruéis — como disse Santo Ambrósio — não podem deixar de amá-los.
Contam os naturalistas que até o tigre, ouvindo o bramido dos filhotes capturados pelos caçadores, se lança ao mar e vai nadando até o navio em que os levam. Se, pois, nem os próprios tigres se esquecem de sua prole — diz nossa Mãe terníssima —, como poderei eu esquecer-me de meus filhos? “Pode acaso uma mulher esquecer sua criança de braço, de sorte que não tenha compaixão do filho de suas entranhas? Mas se ela a esquecer, eu todavia não me esquecerei de ti”(Is 49, 15). “E se em algum tempo — continua a Virgem — se desse o caso de uma mãe se esquecer de um filho, não é possível que eu cesse de amar uma alma, de que sou Mãe”. […]
Reuníssemos nós, enfim, o amor de todas as mães a seus filhos, de todos os esposos às suas esposas, de todos os anjos e santos para com seus devotos, não igualaria todo esse amor ao que Maria tem a uma só alma. É mera sombra o amor de todas as mães aos seus filhos, quando comparado ao de Maria para conosco, diz o Padre Nieremberg. Muito mais nos ama Ela só — diz o mesmo padre —, do que amam uns aos outros os anjos e santos. […]
É notório que Maria foi solícita para com todo o gênero humano. É, portanto, muito recomendável a prática de alguns devotos de Maria, os quais — como refere Cornélio a Lápide — costumam pedir ao Senhor lhes conceda aquelas graças, que para eles lhe pede a Santíssima Virgem. E com razão, diz o citado a Lápide, pois a nossa Mãe deseja-nos bens maiores do que nós mesmos poderíamos desejar.
O devoto Bernardino de Busti afirma que Maria deseja fazer-nos bem, e conceder-nos favores, ainda mais do que nós desejamos recebê-los. Segundo Santo Alberto Magno, aplicam-se essas palavras do livro da Sabedoria: “Ela se antecipa aos que a desejam e se lhes patenteia primeiro” (Sab. 6, 14). Antecipa-se Maria a quantos a Ela recorrem, para que a encontrem antes que a busquem. “É tal o bem-querer alvoroçado desta Mãe, diz Ricardo, que vem logo ao nosso socorro e descobre as nossas precisões. Tão boa Mãe é, pois, Maria para todos, até para os ingratos e indiferentes que pouco a invocam e amam! Que Mãe será então para aqueles que a amam e com frequência a invocam?” “Os que a amam encontram-na facilmente” (Sab. 6, 12). […]
Tem, pois, razão São Boaventura ao exclamar: “Bem-aventurados aqueles que têm a dita de ser fiéis servos e amantes desta Mãe amantíssima!” Sim, porque esta gratíssima Rainha não admite que a vençam em amor os seus devotos servidores. Maria, imitando nisto Nosso Senhor Jesus Cristo, com seus benefícios e favores dá a quem a ama o seu amor duplicado. Exclamarei, pois, com o inflamado Santo Anselmo: “Sempre arda por vós o meu coração, e toda a minha alma se consuma no vosso amor, ó Jesus, meu amado Salvador, ó Maria, minha amada Mãe. Concedei, pois ó Jesus e Maria, a graça de amar-Vos, já que sem a vossa graça não posso fazê-lo. Concedei à minha alma pelos vossos merecimentos, não pelos meus, que eu vos ame quanto vós mereceis. Ó Deus tão amante dos homens, vós pudestes morrer pelos vossos inimigos. E a quem vo-la pede, poderíeis negar a graça de amar a vós e a vossa Mãe?” [...]

Continua …




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FONTE: Revista “Catolicismo”, nº 725, Maio de 2011.



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1 Sua Santidade, o Papa Pio XII, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, em 1º de Novembro de 1950, instituiu como dogma a Assunção de Nossa Senhora em Corpo e Alma ao Céu (cf. http://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/apost_constitutions/documents/hf_p-xii_apc_19501101_munificentissimus-deus.html )

2 Essa Festa também foi instituída pelo Santo Padre Pio XII, através da Carta Encíclica Ad Caeli Reginam sobre a Realeza de Maria e a Instituição de sua Festa, em 10 de Outubro de 1954, com essa exortação: “Depois de atentas e ponderadas reflexões, tendo chegado à convicção de que seriam grandes as vantagens para a Igreja, se essa verdade solidamente demonstrada resplandecesse com maior evidência diante de todos como luz que brilha mais, quando posta no candelabro, – com a nossa autoridade apostólica decretamos e instituímos a festa de Maria rainha, para ser celebrada cada ano em todo o mundo no dia 31 de maio. Ordenamos igualmente que no mesmo dia se renove a consagração do gênero humano ao seu coração imaculado. Tudo isso nos incute grande esperança de que há de surgir nova era, iluminada pela paz cristã e pelo triunfo da religião.” (cf. https://w2.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_11101954_ad-caeli-reginam.html) Com a Reforma do Calendário Universal do Rito romano, a festa passou a ser celebrada na Oitava da Assunção de Maria, ou seja, 22 de Agosto.

3 A título de curiosidade, a edição mais recente que possuímos da obra “Glórias de Maria”, publicada pela Editora Santuário, é de 2015 (30ª impressão), e a 1ª Parte, cujo resumo postaremos em três partes, contém 199 páginas.